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A autora Anne Tyler valoriza o cotidiano dos personagens
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NÃO HÁ NADA de especial nos Bedloe, uma típica família de classe média formada por um casal e três filhos, habitantes da Baltimore nos anos 60. Para a escritora Anne Tyler, contudo, há sempre algo de inusitado no trivial. Em Quase Santo (Record, 416 págs., R$ 39), ela lança o olhar aguçado sobre gente comum e desvenda seus segredos, ambições, sonhos e disfunções. E o faz ao quebrar a normalidade com a morte de um dos filhos, seguida pelo suicídio da viúva. A culpa de Ian, o irmão que acredita ter causado a tragédia que deixou três crianças órfãs, é o motor da narrativa que percorre duas décadas de ajustes e emendas.
Vencedora do Pulitzer por Breathing Lessons e autora de O Turista Acidental, que virou filme estrelado por William Hurt e Geena Davis, Anne também viu esse drama familiar adaptado para a televisão, em 1998. O fundamentalismo religioso e a busca pela redenção são abordados com concisão e leveza em uma trama de múltiplas perspectivas, que valoriza a idiossincrasia e celebra as coisas simples da vida.
Suzana Uchôa Itiberê