Selton Mello fala sem pesar de situações difíceis. É com tranquilidade e bom-humor que diz ter passado por uma crise depois de dirigir seu primeiro filme, e que está exausto. "Quero parar um pouco este ano. Estava muito cansado. Desde criança eu faço isso. Entrei numa roda viva e agora pretendo recuperar o tempo perdido, cuidar mais da vida", diz o ator, que começou a carreira aos 8 anos, na tevê, e hoje é um dos rostos mais frequentes do cinema nacional. Mas o público ainda o verá bastante nas telas. Selton estará, este ano, em outras três produções - entre elas, Jean Charles, sobre o brasileiro morto em Londres. Todas foram filmadas há bastante tempo, como A Mulher Invisível, que entra em cartaz na sexta-feira 29.
No filme, ele é Pedro, um romântico que, depois do fim do casamento, apaixona-se por Amanda, a imaginária mulher ideal interpretada por Luana Piovani. Selton e ela tiveram um romance durante as filmagens. "Tivemos um flerte, uma coisa natural entre duas pessoas solteiras", limita-se. Como a mulher não existe, ele aparece em cenas falando sozinho. "A primeira vez que dei um beijo no ar, me senti patético. Quando entendi que agradava quem via, queria fazer mais", conta. A falta de jeito aparece também nas cenas de dança. "Danço malzão. Sou aquele que vai para a baladinha e fica no canto, bebendo e sacando o movimento. Não sou de me acabar na pista", ri.
A produção é uma comédia, diferente de trabalhos recentes, como O Cheiro do Ralo e Feliz Natal, que ele dirigiu. "Vivi uma crise de identidade depois de fazer meu filme. Todos os trabalhos que fiz depois, como ator, foram difíceis para mim. Mas acho isso natural depois de uma experiência radical", considera ele, que pretende voltar para trás das câmeras depois do descanso. "Dentro desse movimento de me sentir desconfortável como ator, pensando que eu estava me repetindo, comecei a esboçar o filme. Será sobre um palhaço em crise com a profissão. Ou seja, eu mesmo." |

Selton, em A Mulher Invisível, contracena com o vazio: "Me senti patético. Depois, vi que agradava." |