Nara Leão (1942 – 1989) ficou na história da música como a “musa da Bossa Nova”. Contudo, a engajada atuação da cantora nos anos 60, quando o movimento bossa-novista gerou dissidentes descontentes com a “alienação” da turma do “amor, do sorriso e da flor”, foi decisiva para a projeção de nomes como Cartola (1908 – 1980), Chico Buarque e Edu Lobo. Essa faceta desbravadora de Nara é enfatizada pelo autor Cássio Cavalcante na biografia
A Musa dos Trópicos (Companhia Editora de Pernambuco, 688 págs., R$ 50). O livro chega ao mercado no momento em que a morte de Nara completa 20 anos. Em 7 de junho de 1989, complicações decorrentes de um câncer no cérebro calaram a voz miúda que se agigantou ao gravar discos que romperam com as então rígidas fronteiras estéticas da MPB.
Ao rememorar o impacto que cada disco e show de Nara obtiveram na época, o escritor enfatiza as ousadias estilísticas da intérprete que, nos anos 70, foi a primeira a dedicar um álbum (...E que Tudo Mais Vá pro Inferno, 1978) ao repertório de Roberto Carlos, cantor então visto com ressalvas pela elite da MPB. “Nara foi a primeira cantora branca da zona sul carioca a revalorizar o samba de morro, foi a porta-voz dos intelectuais quando se tornou cantora de protesto”, historia Cássio. |

A cantora gravou discos que romperam as fronteiras estéticas da MPB
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