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Leonardo Medeiros e Gabriella Hármoni vivem um romance na Hungria
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LEVAR PARA AS TELAS a narrativa complexa de Budapeste, o romance de Chico Buarque, poderia ser um projeto de alto risco. Mas o filme de Walter Carvalho, apesar de apresentar uma estrutura cronológica que o livro não tem, consegue manter-se fiel ao universo criado por Chico, sem fazer concessões para deixar a trama mais acessível, nem subestimando a capacidade de compreensão da plateia.
Depois de uma aterrissagem forçada em Budapeste, o ghost-writer José Costa (Leonardo Medeiros, em atuação antológica) é obrigado a pernoitar na cidade. É o bastante para que o idioma húngaro o encante. Na volta ao Rio, ele começa a murmurar palavras húngaras enquanto dorme. Vivendo um casamento tedioso com Vanda (Giovanna Antonelli), ele decide retornar a Budapeste e lá se apaixona por Kriska (Gabriella Hármoni), que lhe ensina a língua local. Nas idas e vindas entre Brasil e Hungria, ele descobre que Vanda o trai com um homem que diz ser autor de um best-seller escrito, na verdade, por Costa. Ressentido, ele vai viver em Budapeste, até se transformar novamente em um ghost-writer, agora escrevendo em húngaro, mas com as mesmas frustrações. O desfecho, porém, é surpreendente e redentor.
Budapeste desperta o riso trabalhando a sutileza das palavras. Frases aparentemente soltas, mais à frente se enchem de sentido. Também retrata um universo desolador, com uma câmera que se detém num objeto, inicialmente sem importância, que vai reaparecer mais adiante impregnado de significado. E nada é gratuito. As belas cenas de nudez e sexo, exibindo com rara elegância Giovanna, Gabriella, Paola Oliveira e Débora Nascimento têm o seu propósito, bem como a aparição de Chico Buarque, no final. Um filme que tem tudo para figurar entre os melhores lançamentos do ano. (16 anos) Macedo Rodrigues