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Linn, filha da atriz Liv Ullmann e do cineasta Ingmar Bergman, escreve histórias existencialistas e com traços autobiográficos
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A NORUEGUESA Linn Ullmann herdou a beleza angelical da mãe, a atriz Liv Ullmann, e o olhar sensível sobre o ser humano do pai, o cineasta Ingmar Bergman. Se o lendário diretor sueco imprimiu o existencialismo nas telas, Linn o tem feito no papel. Uma Criança Abençoada (Cia. das Letras, 360 págs., R$ 49) é seu quarto romance e, embora em menor grau de complexidade, suas histórias versam temas essenciais como a sexualidade, o amor, a família e a morte.
Aqui o foco recai sobre as irmãs Erika, Laura e Molly, filhas de mães diferentes e que se reuniam na casa de veraneio do pai, Isak, em uma ilha ao norte da Suécia. Bergman teve nove filhos com seis mulheres e não espanta se a frágil relação das protagonistas com uma figura paterna temperamental, que alterna momentos fraternos com acessos de fúria, tiver ecos autobiográficos.
Vinte e cinco anos depois de uma temporada que terminou em tragédia, as irmãs decidem visitar Isak para um acerto de contas. Linn molda a narrativa como um instigante mosaico. Passado e presente se fundem na vida das três mulheres marcadas pela turbulência no reduto familiar e entre a turma da praia. Era uma moçada pulsante, cujos hormônios faziam jorrar sensualidade e violência.
Entre eles havia Ragnar, o garoto excluído que provocava fascínio e repulsa, e por meio de quem a escritora exercita a arte da sugestão e desenha um final tocante e aberto a interpretações. Suzana Uchôa Itiberê