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Ping-Pong MILTON NASCIMENTO
"As crianças disseram que eu tinha voz de anjo"
O cantor fala de Milton & Belmondo, gravado com Lionel e Stéphane Belmondo, considerados dois dos mais importantes músicos franceses, e de quando tocou Ravel com a sanfona de brinquedo que usava para acompanhar sua mãe

Milton Nascimento é um contador de histórias. Uma delas, contou para os músicos franceses Lionel e Stéphane Belmondo. Disse a eles que tinha composto "Saudades dos Aviões da Panair" e "Ponta de Areia" no mesmo dia. Os irmãos fizeram uma festa ao saber. Quem não faria? Afinal, pode ser só mais um caso para Milton, mas surpreende quem conhece os dois clássicos do compositor. Ele narra esse e outros episódios de quando gravou Milton & Belmondo, lançado em 2007 na França e que chega agora ao Brasil.

Houve algo no repertório escolhido para o disco que o deixou surpreso?
Este disco foi o único em toda a minha carreira que deixei por conta de outros fazerem tudo. Tive uma surpresa quando botaram juntas "Saudades dos Aviões da Panair" e "Ponta de Areia", pois elas foram feitas no mesmo dia e eles não sabiam disso. Quando contei, foi uma festa. Acordei às 9h, peguei o violão e só parei de tocá-lo às 18h, para não ficar louco. Resolvi voltar para o quarto, só que em frente era um quarto com um piano. Entrei lá e, em menos de 20 minutos, estava pronta a outra, que era "Ponta de Areia".

''A gente tocava nas quermesses para angariar tudo para os pobres. Minha mãe cantava 'Assum Preto'''

O disco seria em sua homenagem. Em que momento decidiu participar de todas as faixas?
Numa reunião que tivemos em Paris, onde nos conhecemos. A cumplicidade foi selada quando me disseram que o disco meu que preferiam era o Ângelus, que é, para mim, o terceiro Clube da Esquina.

O sr. disse que esse foi o álbum que teve mais choro, inclusive o seu. Por quê?
Foi um acontecimento emocionante. Em ocasiões diferentes, músicos me contaram que seus filhos ouviram um disco meu e que as crianças disseram que eu tinha voz de anjo. Fizemos um show na Cité de la Musique e, na música de Ravel (Berceuse), usei minha sanfona de oito baixos. Quando a música acabou, eu gritei, o maestro veio até mim e me aplaudiu. Falei com Lionel que minha mãe, minha madrinha, meu pai e eu jamais pensaríamos que aquela sanfona de brinquedo subiria ao palco para tocar Ravel. E tive essa resposta: "Ele terminou essa música agora, com sua sanfona e voz. Antes, não estava completa." Essa foi minha parte no choro. O resto foi dos músicos. Muitos choraram nos ensaios.

A sanfona é a mesma que usava para acompanhar sua mãe? Quais são suas lembranças daquela época?
A mesma. Ela não tem sustenidos e bemóis. Então, quando eu percebia que iria precisar de uma nota, fazia com a minha voz. Não sei como, mas era assim. A gente tocava nas quermesses para angariar tudo para os pobres, principalmente nos dias santos. Minha mãe cantava, entre outras, "Assum Preto" e "Aqueles Olhos Verdes". Eu também tocava nas quadrilhas de junho.

Suas canções são universais, mas têm também uma sonoridade do interior, de Minas Gerais. Como viu essa sonoridade interpretada por franceses? Como Minas conquistou a França?
Minas é naturalmente universal. Temos mistura do negro, do índio, dos europeus. E as harmonias feitas pelos compositores de lá são fantásticas. Minha ligação com a França vem do cinema. Comecei a compor após assistir a várias sessões do filme Jules et Jim, de François Truffaut. A magia do cinema me abraça. Aina Pinto

 



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