 |
O cantor viu a carreira terminar ao ser acusado de informante do regime militar
|
Wilson Simonal (1939 - 2000) batizou seu estilo cheio de ginga de "pilantragem". Mas ele, um dos primeiros negros brasileiros a chegar ao estrelato, era mais do que o exibicionista que ostentava seu carrão, assinava pomposos contratos publicitários e lotava estádios em seus shows. Cantor competente, gravou até com Sarah Vaughn. "Entre 70 e 71, Simonal criou o imaginário do showbiz. Era maior, inclusive, que o Roberto Carlos", considera Claudio Manoel. O integrante do Casseta & Planeta, em parceria com Micael Langer e Calvito Leal, dirigiu o documentário Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei.
Além da figura espalhafatosa, o filme mostra outros lados de Simonal, como o de preocupado com causas sociais. "Ele escreveu Tributo a Martin Luther King em 66, dois anos antes de Luther King ter morrido e se tornado conhecido por aqui", explica Claudio. Em 1971, no entanto, Simonal foi acusado de ser informante da ditadura militar e se tornou persona non grata em casas de shows e gravadoras. Sua carreira chegou ao fim tão rápido e surpreendentemente quanto começou. Embora nada tenha sido provado, ele ficou no ostracismo até a morte por falência hepática, em razão do uso abusivo de bebida alcoólica. (Classificação indicativa: a conferir) Gabriel Debia