PRIMEIRA MULHER a presidir a Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a cadeira de número 30, Nélida Piñon se dizia escritora muito antes de conhecer os ossos do ofício. Aos 10 anos, pediu à mãe que consultasse uma cartomante sobre a realização de seu desejo. Considerou desistir quando o retorno veio negativo. Hoje, aos 71 anos, cinquenta deles dedicados à literatura, Nélida retoma o passado com emoção, lirismo e bom humor em Coração Andarilho (Record, 352 págs., R$ 38). É um romance autobiográfico despreocupado com a precisão. Não há intento de cobrir uma vida, porque a sensação é a de que a autora de Vozes do Deserto ainda tem muito a contar.
São memórias afetivas que emergem. Os anos de formação em Vila Isabel e São Lourenço, no Rio de Janeiro, e a temporada espanhola na Galícia, cidade natal do pai, ressaltam a influência da família na carreira da menina de dupla cultura, que absorvia a realidade com a mesma sagacidade da mulher sem amarras que abraçaria o mundo, ávida por conhecimento. Nélida toca em cicatrizes, como a morte precoce do pai, exalta o amor pela mãe e pelo avô, mas pouco fala da solteirice ou de não ter experimentado a maternidade. Sua história de amor sempre foi uma só: com a palavra. Suzana Uchôa Itiberê
Li e gostei Ellen Roche
"Li Olhai os Lírios do Campo num momento que precisava de uma mensagem forte, como a que Érico Veríssimo passa com a história do personagem Eugênio Pontes"
(Companhia das Letras, 288 págs., R$ 40,50)
Ellen Roche é modelo e atriz