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Em 1983, o músico enveredou pelo cinema ao escrever o roteiro de Para Viver um Grande Amor. Vinte e seis anos depois, ele lança seu quarto livro, Leite derramado
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Chico Buarque escreve. Quando era menino, escreveu um bilhete para a avó. "Eu vou me tornar um cantor de rádio. É só a senhora ligar o rádio do céu que vai me escutar." Até hoje não se sabe o dial da estação celeste, mas ele, de fato, virou cantor. E escreveu, aos 15 anos, a primeira música, "Canção dos Olhos", que nunca gravou. Só depois registraria em disco suas composições. Aos 22, já era o autor da trilha de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, e de "A Banda" e "Pedro Pedreiro", ambas do primeiro álbum. Escrevendo, trabalhou com Tom Jobim. A parceria começou em 1968, quando Chico tinha 24. Fez a letra de "Retrato em Branco e Preto", assim chamada porque as rimas seriam mais fáceis e preto rima com soneto, ou a canção seria "vou colecionar mais um tamanco, outro retrato em preto-e-branco", ele explicou. Escreveu "Construção" (1971), que usa proparoxítonas e só pode ser classificada com superlativos, como uma das mais bonitas da música nacional, por exemplo. Bastariam as canções, mas Chico fez peças de teatro, como Roda Vida (1967). Adaptou e assinou o roteiro de filmes, como Para Viver um Grande Amor (1983). Foi ator, em Quando o Carnaval Chegar (1972). Centro-avante no Politheama, compôs o hino do time. E escreve livros. O mais recente, o quarto, é Leite Derramado.