OUVIR SAMBISTAS como Teresa Cristina cantarem suas composições em discos e shows é um fato banal na cena musical brasileira. Contudo, a jornalista Mila Burns mostra no livro Nasci para Sonhar e Cantar (Record, 176 págs., R$ 32) que nem sempre a mulher teve passe livre no universo machista do samba. A pioneira foi Dona Ivone Lara, cuja caminhada desbravadora é narrada por Burns sob perspectiva sociológica.
Primeira mulher admitida na ala de compositores de uma escola de samba (a Império Serrano, em 1947), Ivone lutou para se impor como autora. O preconceito era grande, e a sambista precoce, que compôs seu primeiro partido alto ("Tiê") aos 12 anos, teve que recorrer no começo a um primo - Antonio dos Santos, o Mestre Fuleiro (1911 - 1997) -, para que seus sambas fossem ouvidos. Fuleiro apresentava as músicas como se fossem dele.
Com narrativa fluente, o livro mostra como Ivone se tornou a primeira mulher a ter um sambaenredo cantado na avenida ("Os Cinco Bailes da História do Rio", 1965) e ressalta que a artista teve que conciliar o ofício de assistente social com o de sambista para sobreviver.
Mauro Ferreira



Li e gostei
João Marcello Bôscoli
"Gostei de A Era das Máquinas Espirituais, de Ray Kurzweil. Fala do fim do domínio humano na Terra e a ascensão dos robôs. O autor é um grande cientista" (Aleph, 512 págs., R$ 69)
João Marcello Bôscoli é produtor musical e proprietário da gravadora Trama |
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