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| Cenografia, iluminação e trilha sonora da peça são discretas e expressivas |
CHARLES MÖELLER E CLAUDIO BOTELHO continuam sensíveis às figuras à margem do sistema. Se Florence Foster Jenkins, tida como "a pior cantora do mundo" e fonte inspiradora de Gloriosa, era involuntariamente aclamada, os tipos de Avenida Q surgem como outsiders residentes numa rua da periferia de Nova York. Aventurando-se no terreno do teatro de bonecos, ambos se preocuparam em dominar a técnica, preservando, porém, a humanidade dos personagens.
Os atores se mostram precisos no trabalho de manipulação, acentuando, através da máscara facial, as expressões dos bonecos. Mesmo assim, quem realmente brilha em cena é Claudia Netto, portadora de admirável timing e tirando o melhor partido de sua JapaNeuza. O espetáculo é muito bem cuidado, em especial no que se refere à cenografia de Rogério Falcão - não só pelas fachadas das casas, mas também pela reprodução em miniatura dos espaços internos. O contexto nova-iorquino foi mantido e complementado com referências brasileiras e notas da atualidade (incluídas de maneira algo excessiva). De qualquer modo, Avenida Q comprova, mais uma vez, a capacidade de Möeller e Botelho de surpreender em formatos variados. (14 anos) (D.S.W.)
★★★