 |
| Expressões faciais acentuadas preservam a humanidade dos personagens |
AO LONGO DOS ANOS, Antonio Gilberto vem demonstrando preocupação em investir em projetos calcados em sólido repertório dramatúrgico. Depois de encenar textos de autores como Tennessee Williams e August Strindberg, apresenta, agora, sua versão para Maria Stuart, de Friedrich Schiller, um dos principais representantes do romantismo alemão. Ele assina uma montagem austera e corajosa ao não facilitar a apreciação do espectador, feito raro nos dias de hoje.
Com tradução de Manuel Bandeira, a história, centrada no embate fictício entre as rainhas Maria Stuart e Elizabeth - em circunstância na qual a primeira está aprisionada pela segunda -, ganha força com o rendimento satisfatório do elenco. Julia Lemmertz transita muito bem pela ampla gama existente entre a humildade e a revolta, e Clarice Niskier imprime autoridade cênica sem perder de vista as hesitações de sua assombrada personagem. Vale ainda destacar o trabalho seguro de André Corrêa, como Robert Dudley. Quase tudo no espetáculo é adequadamente discreto e expressivo: a cenografia de Hélio Eichbauer, a iluminação de Tomás Ribas e a trilha sonora de Marcos Ribas de Faria. Apenas os figurinos de Marcelo Pies, eficientes para Maria Stuart, resultam excessivos para os súditos de Elizabeth. Mas o resultado merece aplausos. (12 anos)
Daniel Schenker Wajnberg
★★★★
Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil - r. Primeiro de Março, 66, Rio, tel. (21) 3808-2020. Até 17/5.