Será que a era do luxo chegou ao fim por causa da crise global? Ainda não, mas chega de exibicionismo. A palavra de ordem em Paris foi moderação. O desafio era criar peças atemporais sem perder o glamour. John Galliano não abriu mão de tecidos sofisticados para criar uma coleção inspirada nos países do Leste europeu com saias plissadas, mangas bufantes e correntes para vestir suas bonecas russas. Para Dior, a inspiração veio do Oriente. Calças tipo saruel e vestidos em seda também ganharam brilhos e cortes impecáveis sem grandes contenções nas mãos de Galliano. Para os demais estilistas, o resgate de antigas referências foi inevitável.
Para não errar, marcas tradicionais como Yves Saint Laurent, Givenchy e Lanvin investiram em cores neutras como o cinza, o branco e o preto, que voltou com força total, com o apoio de Chanel. Karl Lagerfeld resgatou a elegância dos dândis franceses com toques de branco, rosa e verde-folha em tailleurs e vestidos em lã. Neste inverno, a mulher também perdeu um pouco do romantismo para se tornar prática e moderna. Até a maison Valentino entrou na onda de sobriedade que dominou os desfiles e evitou os vestidos longos esvoaçantes. Desta vez, a grife trouxe peças com cortes quase geométricos e formas retas sem grandes detalhes.
Na passarela de Stella McCartney, contraste entre blazer de inspiração masculina e transparência, duas tendências fortes da estação. Já Marc Jacobs, fez uma ode às musas parisienses da década de 80 com suas roupas com efeitos drapeados e ombros marcados para a Louis Vuitton. Um resgate mínimo de glamour só para não perder o espírito que fez da França o berço da moda mundial.
John Galliano não abriu mão de tecidos e detalhes sofisticados para criar sua coleção inspirada nos países do Leste europeu