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Madeleine Peyroux causou sensação com seus dois últimos discos |
MAIS VOLTADA PARA O FOLK E O BLUES, aos quais dá tom jazzístico distante da linguagem pop de sua colega Diana Krall, a cantora norte-americana Madeleine Peyroux causou sensação mundial com seus dois últimos álbuns, Careless Love (2004) e Half the Perfect World (2006). Tais discos motivaram até comparações exageradas com Billie Holiday (1915 - 1959) por conta da semelhança de timbres. Peyroux nunca atingiu a profundidade do canto de Lady Day, mas é fina estilista do jazz que, além de interpretar temas alheios, também compõe. Em seu quarto CD, Bare Bones, ela arrisca pela primeira vez um repertório inteiramente autoral.
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A artista recrutou novamente o produtor Larry Klein, parceiro dos dois últimos álbuns. É fato que, pela própria natureza do repertório, Bare Bones soa mais irregular do que seus antecessores. Contudo, Peyroux se mostra uma compositora promissora em temas como o blues "Instead" e o folk que batiza o CD. Alternando climas, ela tanto festeja com euforia pueril a chegada de Barack Obama à presidência dos EUA em "Somethin' Grand" como chora a morte do pai na lenta "Rivers of Tears". No todo, fica uma boa impressão, ainda que Bare Bones indique que Peyroux não deve abandonar por completo a interpretação de músicas de colegas mais hábeis na arte da composição.
Mauro Ferreira


