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O elenco da peça deverá crescer em rendimento ao longo da temporada
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AMIR HADDAD TENTA CONCILIAR EXTREMOS na montagem de Bodas de Sangue: o caráter de celebração, próprio de seu teatro, mesclado à força trágica da obra de Federico García Lorca. Realiza um espetáculo vibrante, mesmo que a parte introdutória, na qual os atores recebem os espectadores de forma calorosa, soe, em alguma medida, exagerada. Já ao procurar instalar uma - em si, bem-vinda - sobriedade em cena, o diretor não consegue evitar certa queda de ritmo. Entretanto, há mais acertos que erros nessa versão da peça de Lorca, centrada no desencontro entre Leonardo e a Noiva, apaixonados um pelo outro, apesar de comprometidos com relacionamentos diversos.
O elenco, irregular, deverá alcançar rendimento satisfatório no decorrer da temporada. Se Letícia Spiller externa uma intensidade emocional que nem sempre consegue sustentar, Catarina Abdalla, Lorena da Silva e Tereza Seiblitz apresentam interpretações destacadas, com a primeira potencializando a revolta da mãe do noivo, a segunda apostando na discrição da sogra de Leonardo e a terceira valorizando a frustração da mulher, também de Leonardo, ao perceber o vínculo do marido com um amor do passado. A humanidade dos personagens é realçada nas passagens em que os atores cantam, norteados mais por um sentido de revelação do que pela preocupação em comprovar domínio de uma técnica vocal. Cabe observar a maneira expressiva com que o diretor explora a disposição móvel do Espaço Tom Jobim ao espalhar os focos de ação pelos tablados localizados no meio e ao fundo da sala, aproveitando ainda o corredor e as laterais. (12 anos) Daniel Schenker Wajnberg