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Rodrigo Amarante, Binki Shapiro e Fabrizio Moretti |
SE ALGUÉM começar a ouvir pelo fim Little Joy, primeiro CD do homônimo trio que junta Rodrigo Amarante ao baterista do grupo americano The Strokes, Fabrizio Moretti, vai acreditar que o grupo clona o tom soturno do repertório dos Los Hermanos. Mas a pista é falsa. É que a última faixa do álbum, "Evaporar", a única cantada em português, destoa do clima leve do disco, lançado no Exterior em novembro de 2008 e editado no Brasil neste início de ano, no embalo da turnê que leva o Little Joy por quatro capitais brasileiras até 6 de fevereiro.
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Integrado também pela tecladista Binki Shapiro, o Little Joy faz um som que remete ao ensolarado pop da Califórnia (EUA), em especial nas duas deliciosas músicas que abrem o disco, "The Next Time Around" e "Brand New Start", mostrando que Amarante se vira bem no inglês. É fato que há uma ou outra faixa de teor mais melancólico, caso de "With Strangers", adequada a um disco do Los Hermanos, mas, no todo, o CD do Little Joy prima por não ser um clone nem do quarteto brasileiro nem dos Strokes. Há até ligeiro flerte com a psicodelia dos anos 60 em "No One's Better Sake" que reforça o tom retrô, quase nostálgico, do disco. Uma joia que reluz sem pretensão de fazer do Little Joy a "melhor banda de todos os tempos da última semana". Mauro Ferreira



