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Hassum e Galisteu encenam texto de Dario Fo e Franca Rame |
Depois de Brincando em Cima Daquilo, espetáculo assinado por Otávio Muller, com Débora Bloch, a dramaturgia de Dario Fo e Franca Rame volta aos palcos com a montagem de Um Casal Aberto, Ma Non Troppo, em que Adriane Galisteu e Leandro Hassum interpretam o casal que propõe um modelo de relacionamento aberto, sem, contudo, conseguir evitar os conflitos decorrentes desta opção. O texto escrito pela dupla de autores na primeira metade da década de 80 faz pensar, de certa forma, na possibilidade de determinados tabus comportamentais e sexuais, postos à prova nos anos 60 e 70, voltadarem à tona com o passar do tempo.
Muller foi novamente convidado a assinar a direção e, não por acaso, procura imprimir aqui, mas sem repeti-las, algumas soluções elogiadas em sua encenação de Brincando em Cima Daquilo. Por exemplo: a cenografia, criada por Maria Borba, realça o caráter de jogo teatral ao apresentar o palco a descoberto, e os figurinos, a cargo de Alexandre Iódice, sugerem trajes de ensaio que, porém, podem se transformar ao longo da encenação. De propósito, ambos sublinham a ideia de trabalho esboçado, ainda em processo, na contramão de concepções realistas. O diretor também ambienta boa parte das cenas no meio do público, rompendo com a divisão palco/plateia. O provável intuito é suscitar uma identificação mais imediata entre espectadores e personagens registrados com humor em suas dificuldades para sustentar as próprias escolhas. (16 anos)
Daniel Schenker Wajnberg