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Personalidade do Ano Revelação
Isis Valverde
Em 2008, Isis Valverde se destacou como Rakelli na novela das sete, Beleza pura e diz ter sido, enfim, reconhecida como atriz

TEXTO RENATA MENDONÇA FOTOS RODRIGO LOPES

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Assim que terminaram as gravações de Beleza Pura, Isis Valverde fez o caminho de volta. Despiu-se de Rakelli, a menina espevitada que se tornou febre entre o público adolescente, e foi para a casa dos pais, em Aiuruoca, cidadezinha do interior de Minas Gerais. Precisava voltar às suas raízes após a explosão de sua personagem na novela das sete, da Rede Globo. Lá, reencontrou a família, os amigos e fez uma das coisas que mais gosta: colocou os pés na terra e tomou banho de cachoeira. O contato com suas origens era o que precisava para recarregar as energias após oito meses vivendo Rakelli, um dos personagens de maior sucesso na TV em 2008. "Fui reconhecida pela minha profissão. Agora falam: nossa. Ela é atriz", diz a mineira de 21 anos, que, após a novela, passou a ser considerada uma das mais talentosas atrizes da nova geração. Determinada, ainda quer mais. Sua atuação em Beleza Pura lhe rendeu o papel de Camila, uma das protagonistas de Caminhos da Índia. "Vou muito pela minha intuição. Não faço nenhum trabalho pensando se vai ou não ser sucesso."
Apesar dos cabelos já estarem mais curtos e os trejeitos - às custas de muita fonoaudiologia e workshops - já terem sido suavizados, a essência de Isis ainda é de Rakelli. A atriz reconhece o "poder" do papel criado pela autora Andréa Maltarolli. Tranqüila, diz que o parâmetro para avaliar seu trabalho está dentro da família. "Faço novela para a minha mãe. Se ela está gostando, estou feliz", diz, demonstrando não se preocupar com os números registrados pelo Ibope. Isis é assim. Tem como características marcantes a persistência e a teimosia, assim como Rakelli, a menina que sonhava ser dançarina do Caldeirão do Huck, e que a lançou ao estrelato.
Aos 18 anos de idade, Isis Valverde mudou-se para o Rio de Janeiro. Naquele momento, o que mais desejava era conquistar a tão sonhada independência financeira. Morou de favor na casa de uma tia, vivia da mesada dos pais e dos cachês que recebia como modelo - "mas foi um trabalho rápido", frisa a atriz, que trabalhou por dois anos na Elite Models. Viveu a dificuldade comum às meninas que chegam à cidade grande. "Chorava no chuveiro, mas quando minha mãe ligava eu dizia que estava ótima. Dizia que tinha vários amigos, mas não tinha ninguém", conta. "Mas não dava o braço a torcer, sou decidida desde pequena e detesto ser mandada."
O caminho trilhado por Isis não foi muito diferente das adolescentes que desejam ser atriz. Cursou teatro no Tablado, celeiro de talentos no Rio, fez a oficina de atores da Rede Globo e muitos testes. A grande chance veio com a misteriosa Ana do Véu, de Sinhá Moça. Em cena, Isis aparecia com um pano sobre o rosto. "Falavam: quem é essa menina? É uma modelo bonitinha que veio fazer novela", relembra ela. "Não queria isso." Com o rosto revelado, a atriz chamou a atenção de Gilberto Braga, que a convidou para uma participação em Paraíso Tropical. Dedicada, não mediu esforços para mostrar a que veio. Na pele da prostituta Telma, ela, literalmente, se jogou em cena. Para gravar a morte da personagem, que caía dos Arcos da Lapa, ponto turístico no centro do Rio de Janeiro, Isis dispensou o dublê e arriscou-se ao se pendurar no parapeito. Sua determinação chamou a atenção e veio a chance de viver Rakelli. "A Isis é uma excelente atriz. Ela é fantástica e deu um tempero especial à Rakelli. Não imaginava que fosse ser esse estouro todo. No segundo mês da novela, foi possível perceber que tínhamos um tesouro ali", elogia a autora Andréa Maltarolli.
A sensualidade brejeira da atriz de longos cabelos cacheados que hoje chama atenção do público, principalmente o masculino, passou despercebida na infância e adolescência. Naquela época, ela era uma menina tímida e dentucinha. "Sensual, eu? Nem pensar. Se falam isso eu digo obrigada, mas não me acho nada disso", diz. Isis até pode não se achar sensual, mas é certo que as sainhas plissadas de Rakelli, que deixavam as belas pernas à mostra, fez muito sucesso entre os adolescentes... Em especial os meninos. "Se as pessoas me acham bonita, eu digo obrigada, mas não me baseio nisso. O meu trabalho é mais importante."
O jeito empinado de andar, as unhas pintadas de azul e o choro compulsivo da personagem também viraram febre entre os mais jovens. Para a atriz, o humor contribuiu para que ela se tornasse uma mania nacional. A novela também lhe permitiu trazer à tona a veia cômica de "caras e bocas" da mãe, a também atriz Rosalva Valverde, que teve uma companhia de teatro por dez anos, a Ajuru, mas hoje trabalha como escrivã no Tribunal de Justiça no Fórum da Comarca de Aiuruoca. "Tentei com todas as minhas forças quebrar o óbvio", conta Isis que, mesmo tendo lido mestres da comédia como Stanislavsk, Jerzy Grotowsk, Brest-Litovsk, preferiu buscar em suas raízes o tom da personagem.

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