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Marília preenche o palco com sua presença forte e tom de voz marcante |
ELA NÃO DIZ SEU NOME, lugar onde mora ou em que ano vive. A figura feminina sobre o palco, no entanto, faz tantas referências a pessoas e questões da atualidade que essas respostas não fazem falta ao espectador.
Marília Gabriela se apresenta no monólogo Aquela Mulher, com direção de Antônio Fagundes. O texto introspectivo, construído a pedido da atriz e jornalista pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa, tem também seus momentos cômicos.
A mulher em cena vive momentos de angústia à espera do anúncio de sua posse como nova presidente. A nação que governará, "a mais influente do mundo" segundo o texto, é a mesma que riu dela quando fôra traída por seu marido. O homem citado é o único que tem um nome: Bill. Qualquer semelhança com fatos reais não é mera coincidência.
Mas o monólogo não se destaca pela crítica à política ou ao machismo. A personagem fala sobre suas crises conjugais, as sensações trazidas pelo primeiro amor, a vergonha de ser passada para trás e do deboche público.
Não são exigidos muitos recursos de luzes e cenário. Marília preenche todo o palco com sua presença forte, expressão corporal e seu tom de voz marcante. (14 anos).
Nádia Pontes




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