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"Adoro feijão-com-arroz"
Longe do Brasil há 22 anos, o mineiro Francisco Costa, estilista da Calvin Klein, não abre mão do pão de queijo, faz jardinagem como terapia e pretende ter uma loja com seu nome

TEXTO BIANCA ZARAMELLA

AP
Francisco Costa entre as atrizes americanas Ashley Olsen e Eva Mendes durante a entrega do troféu CFDA Fashion Awards, em junho, em Nova York

Como era essa primeira coleção?
Me inspirei no filme La Dolce Vita e em todos os figurinos de Anita Ekberg e Marcello Mastroinanni. Fotografei o filme passando na minha televisão com uma maquininha barata, para ficar uma coisa bem diferente. Chamei a atenção dos italianos e dos americanos.

O que aprendeu quando trabalhou com Oscar de La Renta?
Do Oscar ficou aquela paixão, aquele entendimento da construção das roupas. Com ele, era tudo muito bem-feito e clássico. Ele tinha um amor pela mulher, era aquela coisa romântica mesmo. Com Oscar aprendi a construir uma roupa. Ninguém faz roupas como ele.

E o que Tom Ford te ensinou na época da Gucci?
Com Tom era a imagem da moda. Era como se eu estivesse sempre olhando por uma câmera e tudo também era bem mais comercial. Quando fiz a minha primeira coleção com ele, fiquei com muito medo. Eram umas calças de couro enormes com detalhes de penas e franjas. Mas Tom acertou e foi uma coleção extremamente copiada no mundo inteiro. Me lembro que Roberto Cavalli começou todo o business dele novamente por causa daquela coleção. Era tudo muito diferente da época em que eu trabalhava com Oscar. Um novo mundo de ostentação, de flor, de cor e de bordados.

Como foi mudar para o mundo de Calvin Klein?
Foi um desafio. Tive que desenvolver um trabalho que não foi oficialmente discutido. Calvin saiu, me mandou uma carta de apoio e disse "boa sorte".

Como você lidou com esse desafio ?
Foi a minha primeira coleção com cores e foi muito bem-aceita. Fiz uma coisa bem orgânica, diferente. Como estava naquela situação toda, tive mais liberdade para criar. Se fosse oficial, acho que sentiria uma certa obrigação em seguir a estética da marca. Costumo dizer que foi bom. Agradeço a companhia por ter me deixado em paz, porque pude experimentar e desenvolver. Aos trancos e barrancos mesmo.

A atual crise econômica já afeta seu trabalho?
É uma coisa real e é claro que a crise vai chegar na moda. Quem consome luxo, consome em tempos de vacas gordas. Agora a crise lá fora está muito forte e as lojas estão desesperadas.

Você é amigo de estrelas do cinema como Eva Mendes, Scarlett Johansson. Como é vestir celebridades?
O mercado mudou muito. Você ter uma pessoa como Eva Mendes valoriza demais o produto. É impressionante. As pessoas ligam na loja pedindo o mesmo vestido que ela usa no tapete vermelho do Oscar. Muitas sonham em participar daquele momento, em ser aquela estrela. Liv Tyler e a Scarlett Johansson não vejo há muito tempo. Mas a Eva é minha amiga. Mesmo com todo o glamour é supersimples e é uma delícia conviver com ela.

É verdade que você desenha figurinos de dança para grupos do Brasil?
Como é esse trabalho? Fiz vários figurinos, não só em Minas, mas no Rio de Janeiro também, para o João Saldanha. Dois deles até ganharam prêmio num festival de dança em Lion, na França. Adoro dança, tenho amigos que trabalham com isso. Em Nova York também fiz figurinos para a companhia da Martha Gram.

As pessoas te reconhecem no Brasil?
Pouco ainda. É normal porque sempre venho para cá e vou direto para Minas. Tenho pouco contato com São Paulo. Só conheço o Rio um pouco porque morei lá. São 22 anos morando fora. Mas receber prêmios aqui é sem dúvida, muito mais emocionante.

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