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Televisão
Em casa com Vera Gata
Em seu apartamento paulistano,Vera Zimmermann, a musa eternizada aos 17 anos por Caetano, fala sobre a vida aos 44, conta que exerce o lado materno com os dez sobrinhos e que prefere interpretar papéis distantes de sua personalidade

TEXTO AINA PINTO

FOTOS PAULO VITALE/AG.ISTOÉ
"Já dividi o teto algumas vezes, mas acho complicado. O cotidiano é desgastante", diz Vera, que está solteira

Vera Zimmermann resolve ouvir música enquanto posa para fotos e, ao ligar o mp3 player conectado ao aparelho de som, a primeira que se ouve é, coincidentemente, "Outras Palavras", de Caetano Veloso. A canção dá nome a um dos discos favoritos da atriz, lançado em 1981, e que traz, entre outras faixas, "Vera Gata", que ela ganhou do compositor quando tinha 17 anos. Hoje, aos 44, a garota que viajava de carona, tocava violão e gostava de subverter regras diz que a maturidade a faz olhar para aqueles tempos loucos de outra maneira. "Tudo era muito liberal e perigoso. Tive sorte de não ter me perdido. Se eu tivesse uma filha, jamais daria essa liberdade toda", considera ela, que, no entanto, não pensa em ser mãe.

Vera, que já é tia-avó, diz exercitar o lado maternal com os dez sobrinhos e ter uma forte ligação com a numerosa família. Na estante, uma foto com mais de 20 pessoas mostra os parentes paternos, de origem alemã. "Meu pai sempre foi muito prático e objetivo. Tenho isso dele", conta ela, mais jovem de seis irmãos. Por mais contraditório que pareça, o desejo de ter tudo sob controle convive com o horror à rotina. "A rotina me mata aos poucos. A única que tenho é, ao acordar, comer salada de fruta com iogurte. Faço isso há, pelo menos, cinco anos. E, depois, vou para a ginástica." O apartamento, em um bairro nobre de São Paulo, reflete a personalidade da moradora, com mistura do rústico e do moderno. Imagens de santos católicos coexistem com outras budistas, assim como um livro do filósofo Arthur Schopenhauer pode dividir o mesmo espaço do que um exemplar de Herman Hesse, guru dos jovens dos anos 70. Os DVDs vão do blockbuster Piratas do Caribe à coleção completa da diva Katherine Hepburn. As músicas tocando aleatoriamente passeiam pelo samba de Maria Rita e pelo angustiado Portishead. "Quem gosta sempre da mesma coisa acaba enjoando de tudo", diz. Até no trabalho ela convive com a ambigüidade, interpretando a perua Joelma, em Negócio da China. "Os papéis que mais diferem da minha personalidade são os de que mais gosto."

FOTOS PAULO VITALE/AG.ISTOÉ
"Ele achou que eu nem tinha gostado, de tão blasé que fui. Não tinha noção do que era ser eternizada em uma canção", sobre a homenagem de Caetano Veloso em "Vera Gata"
FOTOS PAULO VITALE/AG.ISTOÉ
1- "As pessoas estão com mais medo de envelhecer e fazem loucuras com o próprio rosto. Então, cuido disso para que a maturidade chegue de maneira tranqüila"
2- Junto com a eclética coleção de CDs, imagens de santos católicos dividem espaço com outras budistas

A carreira da atriz começou no teatro, com Antunes Filho, quando ficou conhecida como a musa da canção de Caetano. Ela conta não ter enfrentado problemas por ter, primeiro, ganhado fama como uma mulher bonita. "Eu era muito jovem. Você acha que eu pensava alguma coisa?", diverte-se. "Naquela época, por ser vista como uma mulher bonita, as pessoas queriam que eu fizesse trabalhos com nu. Fugi disso. Sabia que esse caminho seria mais fácil para ficar famosa, mas mais difícil para mostrar o talento", conta ela, que hoje não vê problemas se tiver de fazer cenas assim. Segura da própria beleza, Vera é adepta de exercícios diários. "Tenho necessidade de gastar energia, mas há também a vaidade. Tenho prazer em olhar no espelho e ver que estou bem", diz ela, que não se preocupa com a idade. "As pessoas estão com mais medo de envelhecer e fazem loucuras com o próprio rosto. Então, cuido disso para que a maturidade chegue de maneira tranqüila." Para ela, uma das melhores coisas do passar do tempo é ter amigos de longa data, alguns de mais de 30 anos. Mas eles não são visitas freqüentes em sua casa. "Quem gosta de receber, gosta de cozinhar, e eu não tenho esse dom", conta.

Atualmente solteira, ela também prefere viver só. "Já dividi o teto algumas vezes, mas acho complicado. O cotidiano é desgastante." Ainda assim, ela diz não ser uma pessoa de difícil convivência, mesmo que goste de resolver tudo do seu jeito. "Tomo cuidado para não incomodar. Ninguém gosta de uma pessoa mandando o tempo todo. Mas essa minha característica já virou até piada. Os amigos vêem e dizem: 'A Verinha mandando de novo'. Gosto de decidir porque a dúvida causa sofrimento." Se indecisão não faz parte da conversa, as histórias do passado também não. Não por falta de ligação com o que viveu, mas por um problema de memória. "Sofria com isso, achava que tinha de fazer alguma coisa para resolver. Depois, vi que era da minha personalidade. Agora, acho bom. A cabeça fica vazia e há espaço para coisas novas", ri. A única história dos tempos de adolescente abusada, como ela mesma define, é de quando Caetano lhe mostrou a música feita para ela. "Ele achou que eu nem tinha gostado, de tão blasé que fui. Claro que gostei, mas não pulei no pescoço dele e o joguei no chão. Não tinha noção do que era ser eternizada em uma canção."

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