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Sucesso
''Me acho um gato''
Há três anos sem fazer novelas, Ney Latorraca retorna em negócio da china. aos 64 anos, diz estar em ótima forma, não se arrepender de não ter tido filhos e fez um testamento no qual deixa a herança para quatro instituições

TEXTO LUCIANA BARCELLOS

FOTOS MAURO NASCIMENTO/AG.ISTOÉ
O ator na pista de cooper da Lagoa Rodrigo de Freitas onde faz exercícios desde que deixou o cigarro. "A meta agora é andar os 365 dias do ano. Meu recorde no ano passado foi 320"

Há cinco anos, quando trocou a cobertura em que morava no Jardim Botânico, por uma em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, Ney Latorraca mudou também de estilo de vida. Trocou o cigarro por uma vida mais saudável. Hoje, aos 64 anos, é visto caminhando diariamente, chova ou faça sol. O exercício também serve como pausa para a reflexão. Foi num desses momentos de introspecção que Ney, solteiro e sem filhos, resolveu fazer um testamento. A herança do ator, inclusive a cobertura, avaliada em mais de R$ 1 milhão, será dividida entre quatro instituições de caridade.

"Não fiz para botar a cabeça no travesseiro e pensar: olha a pessoa boa que eu sou!", ressalta.

A generosidade de hoje tem origem num passado de dificuldades. Com 44 anos de profissão, ele fala da infância pobre, do deslumbramento num momento da carreira e da crise emocional que o deixou sem andar durante 11 meses.

Em 44 anos de profissão, você já viveu do mocinho ao vilão. O que falta fazer?
Sempre vai faltar alguma coisa. Se disser que sou um ator realizado, é péssimo. Estou cheio de sonhos. Agora mesmo estou correndo atrás de patrocínio para uma peça que estou produzindo, Desfigura. Tenho uma coisa de me comportar como uma criança, como um ator que está sempre começando. Tem gente que fala: "Você é um ícone, um monstro..." Tudo bobagem. Sou só um ator brasileiro, com alguns privilégios.

Escolhe trabalho? Só faz o que quer?
Sempre foi assim. É uma opção de vida. Faço o que quero, na hora que quero e com quem eu quero. Recuso papel desinteressante, uma novela atrás da outra. Se aceitar fazer tudo, viro uma pessoa repetitiva, fico sem fôlego. Não quero que falem: "Lá vem aquele chato de novo."

Do que mais se orgulha?
De ter sido um excelente filho, principalmente em relação à minha mãe. Eles me deixaram uma herança grande, que foi o caráter.

Arrepende-se de alguma coisa?
De não ter sido mais generoso, menos preocupado em querer aparecer, menos vaidoso. Quer ver um grande arrependimento? De ter fumado durante tanto tempo. Para mim, o tempo é uma coisa sagrada.

E de não ter tido filhos?
Não. Mas ainda tem tempo. Charles Chaplin não foi pai com 80 anos? Os homens têm esse privilégio. Mas é brincadeira. Estou num momento de reflexão sobre a minha função nessa passagem pela vida. Tenho de aproveitar o prestígio que consegui como ator e reverter isso ajudando a Casa Ronald, a ABBR, o Retiro dos Artistas, o Gappa de Santos. Faço campanha e eles são meus herdeiros.

''Tenho medo de não saber envelhecer. De pintar o cabelo de louro com 70 anos, pegar uma prancha e ir surfar. Virar um menino de vez...''

NEY LATORRACA

Fez um testamento deixando seus bens para essas instituições?
Sim, com advogado e tudo. Está tudo certinho, registrado. Eles são meus herdeiros. É aquela eterna pergunta: o que vim fazer aqui? Vim só para decorar? Ser elogiado, criticado, aplaudido ou vaiado? E depois? Atrás do ator tem o homem que está preocupado com uma coisa social. Nunca tinha falado nisso e não fiz para botar a cabeça no travesseiro e pensar: olha a pessoa boa que eu sou! Não quero que fique uma coisa meio over. Ainda mais partindo de mim, que já sou exuberante. Daqui a pouco vão falar que sou a Angelina Jolie. (risos)

Passou por dificuldades financeiras na infância?
Passei. Sou filho de casal pobre. Nunca tive brinquedo. Meu material do colégio era dado, nunca tive uniforme, estudei em colégio público. Depois, meus estudos foram pagos por uma senhora, amiga da minha mãe. Às vezes, não tinha nem comida em casa. Com dez anos, entregava marmita. Mas não ficava triste porque sabia que tudo ia mudar através do meu trabalho.

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