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O espírito oriental
Fotos: DIVULGAÇÃO
Yasunari Kawabata costumava abordar a busca pelo paraíso perdido e a solidão

Dois romances de Yasunari Kawabata (1899-1972), vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1968, acabam de ser editados, assim como livro de Kakuzo Okakura sobre o tradicional ritual do chá:

A DANÇARINA DE IZU (Estação Liberdade, 104 págs, R$ 29), primeiro grande sucesso de Kawabata, chega às livrarias quase ao mesmo tempo que seu último trabalho (ver texto abaixo), lançados por editoras diferentes. Essa feliz coincidência permite ao leitor unir as duas pontas e constatar a interessante evolução no estilo desse que é um dos mais importantes escritores japoneses. A peregrinação do personagem central lembra a ambientação dos romances de samurais errantes, tão freqüentes na literatura (e cinema) japoneses. No caso, é um jovem estudante que, durante uma viagem, apaixona- se por uma bela dançarina e passa a acompanhar sua trupe de artistas nômades. Todo o drama é centrado em sua incapacidade de efetivamente se envolver com a garota. Apesar de ser uma novela curta, trata-se de uma pequena obra-prima.

BELEZA E TRISTEZA (Globo, 289 págs, R$ 36) é o último romance do Kawabata. Obra madura, retrabalha os elementos mais caros ao escritor, como a busca pelo paraíso perdido e a solidão, agora com um enfoque mais niilista. É a história de um escritor de meiaidade que viaja até Kioto para reencontrar sua primeira grande paixão, uma artista plástica que ele não via há muitos anos. Kawabata encontra poesia nos mínimos detalhes, num simples lanche de viagem feito pela amiga, ou até na observação da copa das árvores. Poucos sabem retratar tão bem o espírito romântico oriental, com seus rituais forjados na educação rígida e no respeito às tradições. Como na maioria das vezes, sua obra tem forte fundo autobiográfico. Aqui o casal tem mais idade, enquanto em A Dançarina de Izu, são jovens, como o autor na época.

O LIVRO DO CHÁ (Estação Liberdade, 142 págs, R$ 34), de Kakuzo Okakura, é um perfeito retrato da importância dos rituais na cultura oriental, particularmente do Japão. Quando foi escrito, em 1906, o país vivia uma fase de grande contato com o ocidente, recebendo forte influência, a despeito de suas tradições milenares. Okakura percebeu a importância da preservação da identidade cultural japonesa e documentou então o ritual do chá, também chamado de chaísmo. Essa cerimônia concentra preceitos do budismo e principalmente do taoísmo, no que eles têm de mais filosófico. Ressaltando a importância das pequenas coisas, bem como da pureza do espírito, a cerimônia do chá é um momento de simplicidade. Seja nas classes mais ricas ou na periferia mais humilde, ela tem o poder de igualar as pessoas.
Marcelo Lyra

 


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