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A força do flagrante
Um passeio pela exposição de Vânia Toledo na Pinacoteca do Estado, um dos mais belos museus de São Paulo

Paulo Borges

"Essa imagem sintetiza os Anos 80: o sapato, a meia enrolada, o piso quadriculado", resume Vânia Toledo, sobre a foto de 1981, em São Paulo
Caetano se olhando no espelho: "Era o prelúdio de que o homem se tornaria uma criatura muito vaidosa", diz Vânia

EM MEADOS DE 1982, ao cumprir uma agenda de visitas e almoços como assistente de Regina Guerreiro, então diretora de moda da revista Vogue, conheci Vânia Toledo. Uma profissional guerreira e apaixonada pela vida, que se tornaria uma amiga querida. Era também uma das pessoas mais íntimas de outro grande amigo, o estilista Conrado Segreto, já falecido. Juntos vivemos momentos inesquecíveis sempre em torno de um mesmo assunto: moda, claro!
Esta semana dedico minha coluna a esta talentosa fotógrafa, que merecidamente foi convidada a expor seu trabalho na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Vale dar total cobertura à mostra Diário de Bolsa. Afinal, não é comum que a fotografia receba espaço nos museus brasileiros, principalmente quando se trabalha com moda, assunto de meu maior interesse. Para todos que gostam de moda, história e fotografia, vale o passeio à Pinacoteca, que é um dos mais belos museus do País, para se deliciar com o olhar irreverente de Vânia Toledo. A exposição ficará até o dia 26 de outubro, de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Antes, porém, aproveite este papo exclusivo para Gente, e sinta o prazer que será sua visita "in loco".

A Pinacoteca de SP sempre realiza "releituras de obras", mas você é a primeira fotógrafa retratista a ganhar esse espaço. Como se sentiu com o convite?
Eu me senti muito bem, acabei fazendo uma releitura do meu trabalho com a máquina portátil. São trinta anos de carreira, trabalhando dia, tarde e noite, então acumulei muitos negativos, se fosse fazer uma retrospectiva de todo o meu trabalho eu precisaria de muitos meses. Então propus para o Diógenes Moura, curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo, uma releitura desse trabalho paralelo ao meu profissional. Pretendo fazer uma releitura completa de obra em 2011, na Pinacoteca, mas para isso vou precisar de muita apuração no meu arquivo profissional.

Quando você fala em trabalho paralelo, é algo inferior ao profissional?
É diferente. Por diferenças tecnológicas, a qualidade de uma fotografia feita com uma máquina portátil é mediana se comparada com uma máquina profissional. Além disso existe o fator espontaneidade. Nessa releitura que fiz, todos os retratos são flagrantes, sem preparação, sem produção, é o momento. A força do flagrante, a beleza do momento, a não-produção, a não-qualidade, tudo isso propicia uma espécie de visão muito viva e verdadeira, e isso é absolutamente interessante. Nenhuma das imagens que estão na Pinacoteca poderia ser produzida ou feita com glamour ou qualidade ou "whatever". São retratos do aqui e agora. Por isso faço questão de falar que se trata de uma máquina portátil.

Existe algum outro motivo pela seleção desse arquivo?
Se me permite falar, moramos no terceiro mundo, onde famílias vivem com menos de um salário-mínimo por mês. Quero mostrar para os jovens que sonham em ser fotógrafos que se você tiver o mínimo de noção de enquadramento e um olhar sensível pode se tornar um ótimo profissional, sem recorrer a equipamentos caríssimos de última geração.

Soube que você foi inicialmente convidada para fazer uma "retrospectiva" do seu trabalho na Pinacoteca, mas que preferiu não aceitar por achar que ainda é muito cedo para isso, disse que "retrospectiva só depois dos 70 anos de idade!"...
Eu sempre acho que é cedo para tudo. A palavra "retrospectiva" é muito usada para pessoas que estão próximas da morte. A releitura de um trabalho é um conceito mais agradável para os meus ouvidos. Todas as retrospectivas em que eu estive eram sobre pessoas mortas. Eu não gosto dessa palavra, ou do pensamento que ela provoca. Quero morrer com a máquina na mão. Hei de trabalhar até o último segundo.
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