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Deborah
A pintinha do lado esquerdo da boca, a voz rouca, o corpo irretocável e a simplicidade na essência. É de deborah secco o posto da mulher mais sexy do ano

TEXTO ANA CAROLINA SOARES

"Ela é carioca, ela é carioca, basta o jeitinho dela andar"
Ela É Carioca (Vinicius de Moraes)

Era uma vez uma pinta. Quando foi descoberta pela menina Deborah Fialho Secco, com seis ou sete anos de idade, causou um certo incômodo. Teve que se acostumar com comentários como: "Tem uma sujeirinha na sua boca" ou "Você comeu chocolate?". Ela revirava os olhos e ficava chateada de ouvir sempre a mesma observação. Por um tempo, quis tirar o sinal, mas aos poucos, aquela passou a ser uma marca registrada. Quem poderia imaginar que aquela pintinha que incomodou tanto seria uma de suas características mais cobiçadas? Deborah diverte-se com a história. "Nunca me achei sexy. Ainda sou uma menina desajeitada que não sabe lidar com um corpo de mulher." Ela conta que o furacão que aparece hoje na tevê, na infância não chegava a brisa. "Era a mais feia da turma", conta. De tão insegura nessa fase, lembra do primeiro beijo como uma experiência traumatizante. "Aos 12 anos, me apaixonei pelo meu vizinho. Nos beijamos no Réveillon, e depois disso, ele nunca mais apareceu. Aos 14 anos, levei dois meses para beijar meu primeiro namorado. Achava que eu não tinha talento para isso", lembra.

A desforra veio com a fama, também aos 14 anos, quando foi uma das protagonistas de Confissões de Adolescente. Quando o Brasil inteiro reconheceu seu talento, sua beleza, e, claro, a pinta, só então, a turma reparou em Deborah. Até hoje ela mantém uma boa relação com os amigos de infância, mas confessa que as festas em Jacarepaguá tornaram-se mais divertidas. "É a única hora que gosto do aparato da profissão." Primeiro chegam os seguranças e então surge Deborah, a estrela da Rede Globo, olhando cada menino que um dia a esnobou.

Mas, como diria João Gilberto, a "enorme ingratidão" do tempo de criança, quando se sentia meio patinho feio, Deborah já deixou para trás. "É divertido e o passado já passou." A trilha sonora de sua vida mudou e ela foca hoje em novas letras, em especial, a canção "Lugares Proibidos", de Helena Elis, nova estrela da MPB. A canção veio atachada no primeiro e-mail que recebeu do jogador de futebol Roger Flores, quando se conheceram e começaram o namoro em janeiro de 2007. Nos primeiros versos, dispara-se: "Eu gosto do claro quando é claro que você me ama/ Eu gosto do escuro no escuro com você na cama".

REGATA ELLUS CINTO VERSACE

Foi, obviamente, uma boa cantada, mas ela se fez de desentendida. "Eu sequer desconfiava", jura a atriz. Na verdade, jamais imaginaria que aquele seria o primeiro de uma infinidade de e-mails numa relação em que o computador foi seu cupido. Em 20 de julho, Roger mudou-se para Doha, capital do Qatar, para jogar no principal clube do país. A cidade fica a 14 horas de vôo do Rio de Janeiro, onde ela mora. Naquele domingo, não houve a clássica cena da despedida no aeroporto. Deram um até breve ao deixar o hotel em São Paulo, onde passaram o final de semana. "Não teve o drama da distância. Além disso, sou uma pessoa adaptável", diz. O casal se configurou tecnologicamente para a comunicação via skype, msn, rádio, câmeras plugadas em laptop. "Nos falamos toda hora. Parece que ele está em casa."

Nem tanto. No fundo, Roger faz falta. Afinal, são três as coisas que deixam Deborah em transe: comer, dormir e fazer amor. E se essa é a ordem de suas prioridades, ela não hesita e dispara: "Tudo depende da fase. Atualmente? É óbvio, né? O que está em defasagem...", diverte-se. E num tom mais baixo e tímido, acrescenta: "Nosso encontro vai ser um momento de transe, aliás, sempre foi, todas as vezes." Deborah é assim: quando o assunto é sexualidade, parece menina. Ri e fica tão, mas tão sem graça, que seu rosto todo enrubesce. Prefere repetir o que uma vez lhe disse Daniel Filho, que a dirigiu em Confissões de Adolescente. "Ele falou que o mais sexy em mim era o fato de eu não saber que eu era sexy." E sensualidade pode vir displicente. Certa vez levou um tombo ao tentar fazer um striptease para um namorado. Lembra do episódio com um riso charmoso. Em outra situação, por pouco ela não chegou a um evento com uma blusa transparente por puro descuido.

"Além de ser uma desastrada, gosto de brincar até hoje. Principalmente com a Lara (10 anos, filha do primeiro casamento de Roger). Ela se parece comigo, é uma criança criativa como eu fui", diz. Deborah escreveu um livro aos seis anos. Era história de um arco-íris sem cor, que foi pintado com as lágrimas coloridas de uma nuvem. Ela interpretava a nuvem, e chorava para colorir seu arco-íris. A atriz ainda escreve e quer um dia publicar seus contos. Com pseudônimo, porque acha o País preconceituoso com artistas multifacetados.

Da infância, restou o gosto pelas bonecas. "Tenho até minha própria boneca, que aliás é a minha cara", conta. Para ficar idêntica, Deborah, a menina que não gostava do sinal no canto esquerdo da boca, pintou sua marca com uma caneta. "Mas gente, como assim, uma mulher dessas pode ser sexy?", diz ela. As fotos deste ensaio traduzem a resposta.

Edição de moda JULIANO PESSOA e ZUEL FERREIRA (CREATIVE AGENTS) Produção de moda IGI AYEDUN e ISABEL ZACHOW Beleza MARCOS PROENÇA/STUDIO W Assistentes de fotografia JOENE KNAUS e RAFAEL MARTINELLI


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