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Cinema
Na carona de David Lynch
Num trajeto de 47 minutos no carro do cineasta David Lynch, Gente entrevistou o diretor de homem elefante e veludo azul, que falou da namorada Emily Stofle, da última vez que sentiu raiva e das impressões do Brasil

TEXTO ANA CAROLINA SOARES

ANDERSON BORDE / AG. NEWS
"No Rio, eu amei as montanhas e fiquei fascinado pelos túneis. Em toda minha vida, nunca vi túneis tão bonitos", diz o cineasta

Uma lavra brilhante cerca o carro por todos os lados. Um vaivém do pára-brisa e os faróis traseiros de milhares de veículos parados na avenida Doutor Arnaldo, na capital paulista, transformam-se numa massa incandescente. No dia da abertura dos Jogos Olímpicos na China, São Paulo buscava mais um recorde na sexta-feira 8: eram 211 quilômetros de vias congestionadas. O relógio marcava 18h25 e faltavam 25 minutos para a hora marcada com o cineasta David Lynch em um hotel na avenida Paulista, a dois quilômetros dali. Com tudo isso, foi melhor deixar o carro e pegar o metrô. Deu certo. O criador de Homem Elefante (1980) e Veludo Azul (1986), Palma de Ouro por Coração Selvagem (1990) e três indicações ao Oscar de melhor diretor, agendou a entrevista para as 18h50. Seria uma das poucas exclusivas concedidas em seus oito dias no Brasil, o primeiro país do Hemisfério Sul que visitou em 62 anos de vida. Entre 4 e 11 de agosto, ele percorreu Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre para divulgar o livro Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação, misto de autobiografia e ensaio espiritual em que conta como a meditação transcendental, que pratica há 35 anos, mudou a sua vida.

Fotos: JOÃO MARCOS ROSA/AG. NITRO
Seu carisma foi posto à prova na terça-feira 5, quando o diretor colocou para meditar 4 mil crianças

No horário previsto, Lynch aparece no saguão: ele tem 1,80 m de altura, veste um terno bem cortado e, incrível, sorri. Incrível porque em todas as suas fotos, o diretor traz uma cara esquisita que faz jus às de autor de cenas delirantes, como a seqüência de Eraserhead, de 1977, seu primeiro sucesso e filme favorito de Stanley Kubrick, em que um líquido denso escorre da galinha servida no jantar, numa analogia ao parto do bebê prematuro - e mutante - do protagonista.

"Não é porque retrato cenas sombrias que tenho de ser sombrio. Essa história de que cineasta tem de ser deprimido deve ter sido inventada por um francês, para conquistar mulheres. A tática até dá certo, mas não é boa porque dias depois, a mulher cai fora, afinal, não há como conviver com um tipo pessimista", ele debocha. Lynch sabe do que fala: casou-se três vezes, teve um caso com Isabella Rossellini nos bastidores de Veludo Azul e há dois anos namora Emily Stofle, bela empresária do ramo de sapatos e atriz.

''É tudo muito estranho. Fiquei surpreso com meus momentos de astro (risos).
Mas, sério, as pessoas são ótimas''

Seu carisma foi posto à prova na terçafeira 5, quando o diretor colocou para meditar 4 mil crianças no evento Cidade dos Meninos, em um ginásio em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. A platéia nunca tinha visto um filme dele, mas era formada por alunos de escolas públicas beneficiadas pela Fundação David Lynch, que desde sua fundação há dois anos forneceu US$ 5 milhões para implementar a meditação transcendental em instituições carentes em todo o mundo. O cineasta já percorreu mais de trinta países em todo o mundo como uma espécie de peregrino moderno da prática criada pelo guru indiano Maharishi Mahesh Yogi em 1958 - que teve os Beatles como adeptos nos anos 60. Suas visitas têm sido filmadas e um documentário deverá ser lançado no ano que vem.

Chega a hora da carona. Um Toyota Corolla 2008 verde escuro, modelo nacional sedã de luxo, estaciona e divido a viagem com, além do diretor, outros três engravatados. Não há espaço para fotógrafo e meu carro ainda estava preso na Doutor Arnaldo. Sentada no banco de trás, tenho Lynch à minha esquerda e, à direita, Robert Rosh, escritor e vice-presidente da Fundação David Lynch. No banco da frente, o meditante Caco Carvalho dirige e o representante da instituição, Joan Roura, preocupa-se com o conforto do convidado especial. "Está tudo certo", diz Lynch, simpático, mas obviamente espremido. Sem trânsito, o trajeto de 9,7 quilômetros seria percorrido em 11 minutos. Mas São Paulo tentava bater seu recorde (por pouco, não conseguiu) e, nos exatos 47 minutos que durou a viagem, deu tempo para falar de tudo: meditação, cinema, café, vida e mulheres. A seguir, um dos raros exemplos de como congestionamentos às vezes são bem-vindos:

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