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Um mago no mundo da moda
Editor da revista Mag!, Paulo Martinez conta peripécias de seus 25 anos de carreira, critica as revistas de moda e diz que os estilistas não devem achar que sabem tudo

FABIO BARTELT
Paulo Martinez em Londres, diante da Tower Bridge

Quando recebi o convite de Gente para editar uma coluna semanal, pensei em muitas coisas, como bom ariano que sou. Mergulho em tudo que faço, e ficava me imaginando completamente angustiado ao fechar uma coluna, ou um tema que fosse mais difícil. Pensava também no prazer de entrevistar quem admiro, e poder contar um pouco dos seus "causos". Em pouco tempo, me sinto no caminho certo: já trouxe para os leitores uma entrevista com o estilista Kenzo, conversas com Alexandre Herchcovitch, Fause Haten, Gisele Bündchen, Raquel Zimmermann, e posso agora realizar mais um desejo: de poder contar a história de um dos profissionais mais inteligentes da moda brasileira. Apaixonado pelo que faz, de personalidade forte, nome certo nas lista dos mais importantes da moda, há dois anos exerce o cargo de editor de moda da revista Mag!, e como hobby, edita desfiles nas temporadas de moda. Para o deleite de todos, Paulo Martinez:

Há quanto tempo trabalha com moda?
PM:
Comecei há 25 anos, fazendo decoração como assistente de um produtor para a revista Casa & Decoração. A editora da revista era a Ivete Vieira Lopes. Ela gostou de mim e quando saiu de lá foi trabalhar na Noiva Moda, e me chamou para produzir fotos de still para enxoval. Imagina! Eu produzindo fotos das panelas, talheres, fogão... Para eu começar na produção de fotos de moda, ela me passou fotos para a publicidade de lojas de noivas da famosa rua São Caetano.

E como rolavam estas produções?
Montava um fundo que servia de cenário para fotos na loja mesmo. Usava cetim azul, cortinas. Nas lojas, já tinha estes ambientes decorados. A modelo geralmente era a filha do dono, era horrorosa, baixinha e gorda. Ficava em pé em cima de listas telefônicas para dar certo nos comprimentos dos vestidos.

Este período durou muito?
Um pouco. A revista Noiva Moda virou a histórica Moda Brasil, e fiz o primeiro número todo fotografado pelo Trípoli em Búzios. Um dos modelos era o Zee Nunes, hoje diretor de desfiles, e Fernanda Barbosa, hoje relações-públicas de sucesso. Fiquei na revista até quase ela virar Marie Claire, e de lá fui ser assistente da Isa Smith na revista Claudia.

Jura? Nunca imaginei!
Sim, eu e a Lena Carderari, fiquei lá por um ano. Depois trabalhei na Fiorucci como assistente da Glória Kalil, e desenvolvia acessórios. Eu a conheci através do Celso Curi, que tinha um club noturno chamado Off. Tinha um outro amigo, o Carlão, cabeleireiro, que era muito amigo da Regina Guerreiro.

Todo mundo começou assim!!! (risos)
Pois é! Vivia dizendo a ele do meu desejo de trabalhar com a Regina, na época diretora da Vogue Brasil. Sonhava com isso! Um dia a Regina foi fazer uma produção de moda na Fiorucci, e me viu. A Glorinha logo me apresentou a ela: "Você é o Paulo amigo do Carlão?". Dias depois recebia uma ligação da sua secretária para uma entrevista que aconteceria na residência dela. Lembro até hoje da roupa que ela usava! Ela vestia um pijama de cetim vermelho, e eu, camisa de smoking da Yes Brazil de mangas bufantes, calça de jacquard azul bem clarinha, e uma sapatilha de couro caramelo, tudo da Equilíbrio.

"Todas essas mulheres editoras de revistas femininas só enxergam o que já viram. Precisam ver o que saiu nas Vogues América e Paris para apostarem"

E depois desse encontro?
Ela me chamou para trabalhar na Vogue, e pediu para indicar outro produtor. Convidei o Giovanni Frasson, e juntos com o Leny Matos, amigo da Regina, fomos trabalhar na revista. O primeiro número que produziríamos era o da Vogue Coleções. A Vogue na época não tinha espaço para acervo, e a Regina recebia roupas do Brasil inteiro para serem fotografadas. Não uma ou duas peças, mas a coleção inteira. Então alugou a garagem da casa de um amigo dela, o Maneco Resende. Um dia, estávamos lá naquela loucura, o telefone da casa do Maneco toca, era o Luis Carta que queria falar urgente com a Regina. Ela teve que sair da garagem, atravessar todo o quintal para chegar à cozinha, onde estava o telefone, mas no meio do caminho levou um baita tombo, quebrou os dois braços e ficou absolutamente imobilizada.

Que bizarro!
Muito! Eu e o Giovanni, que nunca tínhamos trabalhado com ela, nos vimos naquela situação desastrosa. Cada um de nós segurava um braço dela, para que ela pudesse arrumar as roupas, os laços. Ela brigava, dizendo que não estávamos acompanhando seus gestos. Passamos dias assim, subindo e descendo os braços da Regina.

E quanto tempo durou esta relação Regina e Vogue?
Talvez cinco anos, depois disso saí. A Regina saiu da Vogue, abriu uma agência onde produzia para terceiros, e me chamou para trabalhar. Depois veio o plano Collor, e ela não podia mais nos pagar.

Nem ela e nem ninguém! Todos passamos maus bocados.
Depois fui para a Elle. Quando já estava na revista havia quatro anos, a Regina Guerreiro assumiu a direção, e voltamos a trabalhar juntos. Nesse momento se deu a grande virada da minha vida!

Por quê?
Eu era produtor, e a Regina me alçou a editor de moda. Eu era o assistente, e passei a ter três assistentes, a dar ordens. Tive sorte de ter tido duas grandes professoras: a Ivete e a Regina.

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