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| Deborah Evelyn (ao centro) se destaca como a personagem Liubov |


O DIRETOR Moacir Chaves materializa no palco algumas das questões mais importantes de O Jardim das Cerejeiras. Nada é óbvio na obra de Tchekhov. Os personagens que aparentam uma maior acomodação podem ser justamente aqueles que se movimentam, enquanto os portadores de um discurso inquieto talvez se revelem os mais estagnados.
A concepção cenográfica de Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque, composta por diversos tapetes, pedaços de grama e grandes bancos, sintetiza a convivência entre uma aristocracia ociosa – que vê o jardim do título como símbolo de lembranças afetivas – e os representantes de uma nova ordem bem mais pragmática. Figuras que pertencem a tempos diferentes por portarem visões de mundo completamente distintas.
O diretor demonstra preocupação em não investir numa leitura baseada no lugar- comum. Para tanto, adota procedimentos como o de fazer com que os atores leiam as rubricas do texto, possivelmente com o intuito de lembrar o espectador de que está assistindo a uma peça em vez de permitir que se identifique de modo passivo com as situações apresentadas.
No elenco, irregular, cabe destacar dois trabalhos: o de Deborah Evelyn, como Liubov, expressiva na evocação de um passado luminoso e sofrido, e o de Leandro Daniel Colombo, ótima presença como Lopakhin.
Teatro Municipal Maria Clara Machado/
Planetário – av. Padre Leonel Franca, 240, Rio,
tel. (21) 2274-7722.