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Sucesso
Na crista da onda
Maya Gabeira, a destemida filha do deputado federal Fernando Gabeira, se consagra como bicampeã mundial de surfe em ondas gigantes

TEXTO THAÍS BOTELHO
FOTO ANDRÉ PORTO/ AG.ISTOÉ


"Quando fui morar com o meu pai, conheci a liberdade, o que ajudou a traçar meus caminhos", diz Maya sobre o deputado federal Fernando Gabeira

Quem vê aquela menina de 1,68m de altura destacar-se ao lado dos craques do surfe como a primeira mulher no mundo a enfrentar ondas gigantes, não imagina que até os 13 anos de idade Maya Gabeira mal sabia nadar. "Nossa, era só cachorrinho e olhe lá. Fui aprender mesmo quando me dediquei à natação, aos 15", conta, aos risos, a carioca de 21 anos. Na quarta-feira 7, acompanhada de sua mãe, a estilista Yamê Reis, e de uma de suas muitas pranchas cor-de-rosa, Maya apareceu em outro mar, o de arranha-céus da cidade de São Paulo, para cumprir uma maratona de compromissos profissionais e assim encerrar sua breve temporada no País. As férias brasileiras da atleta, que há quatro anos mora na ilha Oahu, no Havaí, foram mais do que merecidas. Ela trouxe na bagagem o segundo título consecutivo de campeã mundial do Billabong XXL Global Big Wave Awards 2008, na categoria feminina - espécie de Oscar das ondas gigantes, conquistado em 11 de abril, um dia após seu aniversário. "Foi uma felicidade enorme. Acredito que as pessoas já estão me vendo com outros olhos", diz ela, que costuma encarar ondulações de 20 pés de altura.

Pai liberal
Maya vivenciou, ainda menina, a separação dos pais e, por volta dos 14 anos, decidiu morar com o pai, o deputado federal e pré-candidato à prefeitura do Rio pelo Partido Verde, Fernando Gabeira. "Mãe é protetora e eu tinha regras e limites mas, quando fui morar com o meu pai, conheci a liberdade, o que ajudou a traçar meus caminhos", conta. "Ele confiava muito em mim e exigia somente a verdade. Nossa relação foi se consolidando desta forma."

Mesmo com o suporte paterno, ela teve que arregaçar as mangas quando se mudou para o Havaí, aos 17 anos. "É muito caro morar fora e, por mais que eu tivesse o apoio financeiro do meu pai, trabalhei bastante para custear minhas despesas", relata, ao recordar- se da época em que foi garçonete em uma das praias mais badaladas da ilha. "Lembro de quando servi, supernervosa, às mesas dos meus ídolos do esporte como Kelly Slater e Mick Fanning. Acho que alguns deles devem lembrar-se da ex-garçonete que hoje ganha as páginas de revistas também com o surfe", arrisca. Praticante de ioga ashtanga e adepta de uma alimentação natural à base de alimentos crus e saladas, a atleta leva uma rotina saudável e mesmo nos momentos de folga curte ir à praia. Ao lado de Carlos Burle, surfista renomado por ter encarado a maior onda já registrada, hoje Maya costuma ser rebocada de jet ski para os paredões de água, modalidade conhecida como tow-in. "Ganhei meu primeiro jet e estou treinando bastante. Ainda quero chegar ao nível dos homens", conta a respeitada "big tow rider girl" (a menina que enfrenta as ondas gigantes, na linguagem dos surfistas).


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