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Cleyde Yáconis e Lúcia Romano em cena |
AS MENTIRAS de uma personagem podem levar o público a pensar que O Caminho para Meca é sobre envelhecimento e solidão. Também é, mas trata sobretudo sobre liberdade. Escrita pelo sul-africano Athol Fugard, a montagem dirigida por Yara de Novaes conta uma história baseada na vida de Helen Martins, artista plástica que viveu entre 1897 e 1976.
A protagonista, uma senhora que vive sozinha e recebe a visita repentina de uma jovem (Lúcia Romano), é interpretada por Cleyde Yáconis. O relacionamento das duas, que em princípio parece mal explicado, revela-se aos poucos, assim como os segredos de Helen. O embate entre a artista e o pastor Marius (Cacá Amaral) é um exemplo de como o espetáculo é pontuado por surpresas. Enquanto tudo parece caminhar para uma discussão sobre se ela precisa de cuidados ou se o religioso quer apenas se livrar daquela estranha mulher, o argumento final passa ao largo disso.
O belo cenário assinado por André Cortez faz referências às obras de Helen, como um grande sol colorido no chão e corujas por todo lado. A iluminação de Telma Fernandes, que trabalha bem com o efeito de velas, também é bonita. Mas o maior mérito é mesmo de Cleyde Yáconis. Indo da tensão à leveza, ela comanda a cena e revela a força da personagem.




Teatro Cosipa Cultura – av. do Café, 277,
São Paulo, tel. (11) 5070-7018. Até 1º/06.