Livros • Home• Revista 25/3/2008
ROMANCE
A Elegância do Ouriço
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A francesa Muriel Barbery combina filosofia e literatura em sua crítica à frivolidade

SENSAÇÃO do mercado literário francês em 2006, A Elegância do Ouriço (Companhia das Letras, 352 págs., R$ 45) vendeu mais de 850 mil exemplares e será traduzido em 25 países. É o segundo livro de Muriel Barbery, uma professora de filosofia nascida há 38 anos na Normandia.

Aos olhos da imprensa de seu país, Muriel é tímida, reservada e avessa aos holofotes. Não surpreende, portanto, que essas sejam também marcas expressivas de Renée e Paloma, as protagonistas desse romance filosófico que convida à reflexão e ainda brinda o leitor com surpresas e emoção.

Renée e Paloma são moradoras de um luxuoso prédio em Paris. A primeira tem 54 anos e há vinte e sete é a zeladora do palacete. Para os patrões, não passa de uma velhota sisuda. Seu pensamento, porém, revela a mente brilhante da leitora de Proust e Tolstói, uma pessoa simples, mas altamente culta, que lembra o mordomo Santiago, do filme homônimo de João Moreira Salles.

Sua voz alterna-se com as espinhosas anotações de Paloma, a garota de 12 anos, superdotada intelectualmente, que se revolta por fazer parte de um mundo de falsas aparências e decide que vai incendiar o lugar e cometer suicídio em seu próximo aniversário. A pequenez humana aflora em crônicas mordazes, mas Muriel lança uma luz redentora na figura sui generis de Kakuro Ozu, o senhor japonês de olhar arguto, que enxerga muito além das polidas carapaças dos vizinhos. Suzana Uchôa Itiberê