Gastronomia • Home• Revista 26/2/2008
EXPERIÊNCIA
Comer às cegas
Evento inusitado desafia olfato e paladar a desvendar menu-surpresa sem a ajuda da visão

Juliana Bianchi

Fregueses vendados lotam o Bistrô Charlô para degustar os pratos do Jantar às Escuras

Fotos: DIVULGAÇÃO
Emmanuel Bassoleil foi um dos que passaram pela experiência

Leia também

Cinema
Exposição
Música
Livros
Teatro
Internet
Televisão
Gastronomia

Uma experiência inusitada tem colocado por terra o esforço dos chefs em estimular todos os sentidos durante a refeição. Intitulada Jantar às Escuras, a idéia priva o público da visão na hora de comer, para que se possa levar ao extremo a sensibilidade do olfato e do paladar. O projeto, que já foi colocado em prática na Alemanha, França e nos Estados Unidos - onde os restaurantes funcionam no completo breu e o serviço é feito por garçons cegos -, chegou a São Paulo em curta temporada no Bistrô Charlô. Mas aqui, no lugar de salas escuras, optou-se por vendas anatômicas, que só permitem a entrada de luz caso se queira burlar a brincadeira. De fato, o jantar promovido pelo Johnnie Walker Black Label - que, antes de ser servido o primeiro prato, oferece uma degustação de uísque - está mais para evento sensorial do que gastronômico. "Escolhi pratos saborosos, sem me preocupar muito com o grau de dificuldade para comer", confessou o chef Charlô, divertindo-se com as trapalhadas dos clientes vendados que se desdobravam para localizar a comida no centro do prato. Com paladar, olfato e tato destreinados, qualquer ato à mesa fica mais lento e confuso. Assim, não é raro enfiar o dedo no patê enquanto se tenta localizar o canapé, confundir minicamarões com nacos de frango mergulhados no consomé de milho, tentar cortar a carne com o lado errado da faca ou levar o garfo vazio à boca. Apesar de toda a dificuldade, o evento torna-se um programa lúdico. "É muito divertido e interessante notar a dificuldade que temos para nomear e distinguir o que comemos quando estamos de olhos fechados", disse o publicitário Fernando Lion. O desafio foi grande até mesmo para paladares afinados, como o do chef Emmanuel Bassoleil. "Foi mais fácil identificar os aromas e as texturas", afirmou ele, que ousou até mesmo brindar às cegas.