|
A liberdade para ela é fazer compras. É uma coisa diferente. Você pergunta se eu quero proporcionar isso para ela. Nunca vou poder fazer. Mas ela está se saindo tão bem, sabe? Eu é que fico me preocupando. Porque acho que a minha infância foi tão rica, foi tão gostosa. Mas foi em outra época, com outra cabeça, com outro mundo, em outro lugar. Não dá para comparar. Mas acho que ela está tendo, da melhor maneira possível, uma vida normal.
Você se surpreenderia se ela dissesse:“Mãe, eu quero ser química”? Ela já manifestou algum desejo sobre o que quer ser quando crescer?
Ela gosta muito de bicho. Diz que quer ser treinadora de golfinhos. Ela fala muito essas coisas assim, meio fora do normal para a gente. É porque quando fomos para o México ou para Orlando, no aniversário dela, ela pedia para nadar com golfinho. Tem foto dela com golfinho aos 3 anos, aos 4, 5, 6. Então ela acha que nadar com golfinho, ser treinadora do golfinho, é o máximo. E ela gosta de pintar. Mas é muito nova ainda. Eu também, com 9 anos, não falava nada com nada. Queria ser veterinária, falava que eu queria cantar, as pessoas achavam gozado. Inviável para quem morava em Santa Rosa, lá na fronteira da Argentina. Diziam: “Não, ela nunca vai fazer isso”. Estou dizendo que minha filha não vai, quem sabe vai, né?
Era parecida com a Sasha quando criança?
Eu era bem diferente. Sempre quis aparecer. Lembro que, aos 6 anos, pedi para minha mãe fazer uma roupa para mim que era verde-musgo, e fui a um casamento. Na hora da foto, pensei: eu não vou aparecer. Porque o fundo era verde, e eu toda de verde. Aí escolhi um lugar em que eu aparecesse bem: na frente da noiva, né? Eu vejo a Sasha, as amiguinhas dela, todas envergonhadas...
Você falou que estraga a Sasha. Em que sentido?
Eu estrago os filhos dos outros! Quando eu vou brincar, as pessoas falam: “Não pode pular”. E eu digo: “Claro que pode!”. Ou: “Não pode falar alto!”. E eu: “Que que tem falar alto?”. Para falar não para uma criança tem de ser: “Não faz isso porque você vai se machucar”. Eu acho que a vida já diz tanto não para a gente... Tanto que, quando eu digo:
“Não, Sasha, isso não pode”, ela nem me pergunta por quê. Ela diz para os amigos: “Vamos lá para casa, minha mãe deixa a gente fazer tudo, menos se machucar”. Se eu estrago o filho dos outros, imagine a minha filha. Ou seja, isso ao olhar das pessoas é estragar, deixar que ela faça o que quiser.
Como você define sua relação com ela?
Temos uma relação muito verdadeira. É uma relação mãe e filha, às vezes filha e filha, às vezes amiga e amiga, às vezes filha aqui e mãe ali, mas é uma relação legal. Não é aquela coisa assim: “Você precisa me respeitar porque eu sou tua mãe!”A Sasha chega para mim e pergunta: “O que você está comendo?”. E eu: “Chocolate”. “Posso comer?”, ela pergunta. E eu: “Pode!”. Ela diz: “Não, mãe, você tem que dizer: ‘Você já jantou, minha filha?’”. E eu falo: “Mas se você já sabe, por que está perguntando? Se você quer pular uma refeição que é importante para você e trocar por um chocolate, problema teu. Eu já cresci, já comi o que eu tinha que comer”. E ela: “Ah, tu pega pesado, mãe!”. Aí a Sasha janta e não quer mais comer o doce. Claro, já comeu o que tinha de comer!
Você vive para sua filha e para seu trabalho. Cabe um marido nessa vida? Agüentaria dividir sua casa?
Agüentaria é bom! (risos) Eu acho que ia ser bastante difícil eu ter uma pessoa que exigisse: “Não faz isso para ficar comigo”. Tem que ser uma pessoa que some. E é muito difícil. Eu não dependo da pessoa financeiramente, dependo afetivamente, ou seja, vou precisar dele para me dar carinho. Ele já vê a minha vida toda formada, feita, tenho meu sonho, realizar os sonhos da minha filha, vê-la feliz e realizar o meu trabalho bem feito.
O cara se encaixa onde? É difícil. Mas, se eu encontrasse uma pessoa que quisesse somar... Tem machismo, educação, cultura, o que seja, o cara quer que a pessoa dependa. E eu não sou de ligar no outro dia, não gosto que fiquem me ligando o tempo todo: “E aí, o que você vai fazer, o que você fez?”. Eu não agüento isso.
Há muito tempo, você declarou que ficou dois anos sem sexo.
Dois anos sem ninguém, nem beijo na boca!
Sexo para você é dispensável?
Não, é muito bom, faz bem para a pele, é gostoso. Mas acho que existe sexo e existe amor. Sexo com amor é muito bom. Só sexo eu acho que faz mal até para a pele, para o corpo, para a alma. As pessoas confundem um pouco. E tenho isso tudo muito bem certinho na minha cabeça. Gosto de me relacionar com as pessoas porque quero, porque vai me fazer bem. Sou bastante egoísta nesse momento. Primeiro tenho que querer. E me debato muito. Chego muito à frente de pessoas que me vêem como troféu, e eu vejo mais interesses dessa pessoa do que meu. Então boto na balança e não vale a pena.
 |
| “A gente conversa sobre tudo. A minha relação com ele não tem por aí, não”, diz Xuxa, sobre Luciano Szafir |
Isso é uma grande dificuldade?
Eu vivo normal. Já levo isso na boa.
Você é muito discreta ou está dispensando muito?
Não, eu vivo normal com isso. As pessoas se aproximam de mim, cada uma obviamente com seu modo de pensar. Muitos acham que é difícil chegar perto de mim, mas não pela vida que eu tenho, e sim porque realmente eu sou assim. Sou uma pessoa carinhosa, gosto de dar e receber, só que tem que ser certo.
O Luciano Szafir é um amigo?
Ele é, e vai ser sempre.
É um confidente?
É uma pessoa de quem eu gosto muito. A gente conversa sobre tudo. A minha relação com ele não tem por aí, não. A gente está amadurecendo com o tempo e se melhorando cada vez mais. Ele como pai, eu como mãe, e a gente cresce, assim, entendeu? PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 |