Diversão & Arte • Home• Revista 26/11/2007
O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
História do lendário bandido americano é transformada em faroeste psicológico

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Brad Pitt foi premiado no Festival de Veneza por sua atuação como Jesse James

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DRAMA
O QUILOMÉTRICO
nome de O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford faz juz ao tamanho do filme: 160 minutos. Curioso é como o diretor, o neozelandês Andrew Dominik, em seu primeiro filme em Hollywood, usa todo esse tempo para contar uma história cujo final é não só conhecido como também é enunciado no título. Dominik opta por esmiuçar o relacionamento entre Jesse James, o lendário bandido americano do século XIX, e seu algoz, Robert Ford.

O filme, excessivamente longo, cheio de detalhes sobre datas, locais, ações e diálogos de personagens secundários, é uma espécie de faroeste psicológico, em que a tensão não se dá pelo fato (a morte de James), mas pela maneira como a amizade entre os personagens termina em morte. James, instável e cansado depois de tantas fugas, é interpretado por Brad Pitt, que ganhou prêmio de melhor ator no Festival de Veneza, mas Casey Affleck, no papel do frágil Ford, também merece elogios.

Baseado no livro homônimo de Ron Hansen, o filme mostra James logo após um de seus espetaculares assaltos, preocupado com a caçada de que é alvo. Mas, ainda que fosse cruel e perseguido por muitos – tanto por quem não concordava com seus métodos quanto por aqueles que estavam apenas em busca do dinheiro da recompensa – ele tinha os seus fãs. Entre eles, estava o jovem Ford, que acabou entrando para o bando do ídolo.

Logo no início, o bandido pergunta se o rapaz quer ser como ele ou quer ser ele. Ford, então, começa a temer pela própria vida e, mesmo que o admire, decide agir primeiro. Deixa o fascínio de lado para assumir a inveja que sente da fama de James. Faz um acordo pela recompensa, espera a ocasião certa e atira no companheiro, pelas costas. Nada de duelos ao pôr-do-sol ou moedas tilintando na mão de juízes. James é assassinado durante uma tarefa prosaica: tirando o pó de um quadro em casa.

E a produção não termina aí. Ainda mostra o que se passou com o assassino depois da façanha. Ele fica conhecido e passa a despertar tanto ódio quanto admiração, exatamente como James, propondo uma reflexão sobre a fama.
Aina Pinto

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