Sociedade • Home• Revista 26/11/2007
A elegância discreta de Carola Diniz
Ela está presente nas listas de convidados das festas mais disputadas do eixo Rio-São Paulo, mas troca qualquer badalação para estar em família

TEXTO CLÁUDIA FONTOURA
FOTOS MURILLO CONSTANTINO


Carola posa ao lado da cadela Laura, que veio em sua bagagem numa de suas viagens à Itália

A florista andava de um lado para o outro montando arranjos com flores de alcachofra e galhos de jiló. Na belíssima casa de Carola Diniz, no Jardim Europa, em São Paulo, havia um clima de festa. Tudo estava sendo preparado para um jantar naquela noite. Carola chegou vestida com jeans e suéter, e o filho Antonio, 9, grudado como um chiclete. “Meus filhos são meus chicletinhos”, diverte-se. Antes de se sentar para a maquiagem e a entrevista, ela deu atenção ao menino, orientou os empregados e trocou idéias com a florista.

O universo conspira a favor de Carola Diniz. Ela é bonita, tem uma família linda, faz viagens incríveis e é figura indispensável nos eventos mais bacanas do eixo Rio-São Paulo. Reúne a sua volta, sem grande esforço, os nomes mais disputados pela sociedade. Recentemente, a festa conjunta de seu aniversário e do irmão gêmeo Dinho Diniz contou com a presença da requisitada Juliana Paes, da badalada estilista Cris Barros, do arquiteto Jorge Elias e da atriz revelação Mônica Martelli, entre muitos outros convidados ilustres.

Apesar de circular nas mais altas rodas, Carola é simples, acha sua vida comum. Elegante, pratica corrida e power yoga para manter a forma esguia. Seu rígido cardápio diário inclui apenas shake de proteínas com semente de linhaça, sushi e sashimi, verduras e legumes. “No fim de semana, libero”, diz. Gosta de sua aparência ao natural e queria posar para as fotos sem recorrer à make-up profissional. “Se é para mostrar como eu sou, tem que ser sem muita maquiagem porque eu mesma não sei me maquiar”, disse. Com pele morena e cabelos castanhos, ela foge de base, por exemplo. “Os maquiadores têm mania de fazer a minha pele ficar muito branca, mas eu tenho orgulho de ser morena”, diz.

Não é por acaso que sol e praia formam a combinação perfeita para Carola, que sempre inclui regiões litorâneas em seus roteiros de viagem. Na última delas, em setembro, embarcou com o namorado Marcelo Trevisan para conhecer a região da Puglia, no sul da Itália. “Fica no salto da bota e é um lugar incrível”, conta. Para provar, ela traz uma pequena coleção de álbuns com o passeio documentado em lindas fotos. Sim, Carola ainda é fotógrafa nas horas vagas e viaja com duas Canon, uma digital e outra analógica, além de várias lentes. “Ainda não aprendi a mexer direito na digital, então carrego as duas”, explica. O namorado, que tomou aulas com ela, também recebe elogios por seus cliques. “Eu ensinei e agora estou preocupada porque ele está ficando melhor que eu”, conta rindo.

"Se é para mostrar como eu sou, tem que ser sem muita maquiagem porque eu mesma não sei me maquiar"

Porta-retratos
Por causa do hobby, a casa é forrada de porta-retratos. São imagens dos pais, irmãos, filhos, sobrinhos e amigos. “Tenho mais de cem álbuns das crianças”, diz. “Acho que eles ficaram até meio traumatizados e agora fogem da câmera.” Alvo de flashes profissionais das principais colunas sociais, Carola, por sua vez, está acostumada à exposição. Mas quem a vê naquelas pequenas fotos de revistas e jornais, nem sempre imagina que, por trás da mulher jovem e impecavelmente vestida, está a mãe dedicada de três crianças: as gêmeas Keka e Bela, de 11 anos, e o caçula Antônio, de 9.

Carola casou-se bem cedo, aos 21, antes de terminar o curso de Direito, e logo engravidou. “Sempre disse que teria gêmeas e acabei voltando grávida da lua-demel”, lembra. “Acho que quando a gente quer muito uma coisa a vida inteira, o universo conspira a favor e isso acontece muito comigo”, diz. Um ano e meio depois, veio outra conspiração do bem: Antônio.

O casamento com o empresário Nando Gullo durou até 2004, mas a amizade e o carinho não acabaram junto. “Foi difícil para todos, é claro, mas o importante é que as crianças perceberam que ninguém se separou delas”, explica. “Eles têm uma referência muito forte de família.” Apesar de não dividirem mais o mesmo teto, Carola e Gullo mantêm uma relação muito próxima. “Meu ex-marido é também meu melhor amigo e participa de tudo na vida das crianças”, diz.

Como toda mãe moderna, a rotina é pautada também pela programação das crianças. E Carola adora participar de tudo. “Vou buscá-los na escola todos os dias e depois fico só por conta deles”, explica. A agenda inclui assistir a partidas de tênis e torcer pelas meninas, que são praticantes de futebol. “Queria que dançassem balé, mas a gente não pode escolher por eles, né?”, diverte-se. E engana-se quem pensa que o interesse das meninas por bola é superficial. Fã de Buffon, do Juventus, Bella joga no gol. A irmã, que é atacante, derrete-se por Gilardino, do Milan. Para Carola, resta torcer para que as duas não se machuquem em campo. “Fico com medo que a Bella leve uma bolada”, diz. “Quando jogam em times diferentes fico dizendo para a Keka não fazer gol na Bela e elas querem me matar.” Antônio, segundo ela, é mais bonachão e sossegado. Gosta de jogar tênis como as irmãs, mas seu prazer é desenhar. Para incentiválo, Carola manda emoldurar e deixa suas obras expostas na sala de estar.

“Aqui não tem nada de decorador”, diz. “Tudo foi escolhido por mim e muitas coisas eu trouxe de viagens.”

Na casa da família em São Paulo, Carola vive com os filhos e as cadelas Luna, uma Lhasa Apso, e Laura, um Pastor Maremmano- Abruzzese, importada da Itália. “Ganhei um cachorro dessa raça do meu ex-marido quando eu tinha 19 anos, mas ele morreu”, conta. “Aproveitei uma viagem à Itália para comprá-la.”

“Nando Gullo,meu ex-marido, é também meu melhor amigo e participa de tudo na vida das crianças”

Artista preferido
Os cães têm permissão para circular pela casa, mas, aparentemente, não fazem bagunça. Tudo é perfeitamente arrumado, exceto por um escritório que ainda conta com alguns quadros esperando para serem pendurados. “Não consigo terminar essa arrumação”, reclama ela. A decoração dos ambientes poderia ser mérito de algum arquiteto renomado, mas leva apenas a assinatura de Carola. “Aqui não tem nada de decorador”, diz. “Tudo foi escolhido por mim e muitas coisas eu trouxe de viagens.” O resultado é um atestado de bom gosto. Até para misturar coisas ela tem talento. Elegantes vasos de murano, peças de cristal e prata convivem em harmonia com Toy Art e aqueles desenhos especiais de seu artista preferido, Antônio. Na copa, o toque feminino de uma verdadeira galeria com quadros de scrapbook criados pelas gêmeas. “Acho que a casa tem que ter a cara do dono”, afirma ela.

A empresária, que já foi dona de uma loja de roupas infantis, parou de trabalhar após a separação para dedicar-se integralmente aos filhos. Sem pressa, começa a planejar o futuro e pensa seguir os passos do irmão, o arquiteto Felipe Diniz, um de seus ídolos na profissão e na vida. “Adoro ir ao escritório dele ficar bisbilhotando”, diz. “Vou começar a fazer alguns cursos e depois preciso convencê-lo a me contratar.”

Por enquanto, seu maior prazer é chegar ao fim de cada dia e observar as crianças na hora do jantar, sempre pontualmente às 19 horas. O ritual inclui uma brincadeira em que cada um precisa falar sobre a pior e a melhor experiência do dia. “Eles começam a falar todos juntos, na maior empolgação, dão risada, brigam até, mas eu adoro”, diz.