Ensaio • Home• Revista 26/11/2007
Juliana abre o jogo
A atriz Juliana Silveira, que ficou famosa na pele da espevitada personagem Floribella, não teve medo de recusar um papel na rede globo, em consideração ao público infantil, e terminar um casamento de sete anos

TEXTO CAMILLA GABRIELLA/ FOTOS ALEXANDRE SANT'ANNA

Por causa da síndrome do pânico, a atriz saiu correndo no meio de um importante teste de tevê

De jardineira curtinha, camiseta, tênis e cabelos sem escovar, é praticamente impossível desvencilhar a imagem de Juliana Silveira, 27 anos, da menina que durante dois anos viveu a espevitada Floribella, personagem da novela infanto-juvenil da Band que transformouse num marco em sua carreira. Bastam alguns minutos de conversa para perceber naquela garota de rosto perfeito uma mulher que sabe o que quer e onde pretende chegar. Dona de olhar e gestos sensuais, a atriz nascida em Santos (SP) não se acha uma mulher bonita. “Não sou um mulherão, bonita é a Angelina Jolie”, diz, entre um clique e outro. Desde a segunda-feira 19, quando foi ao ar o último capítulo da novela Luz do Sol, Juliana está de férias e prepara o passaporte para viagens ao Exterior. Mas antes de desbravar o mundo, abriu o coração. Ela falou sobre a recusa de um papel na Rede Globo, a síndrome do pânico, o amor atual – o ator Roger Gobeth, de 34 anos – e a difícil separação do publicitário Rodolfo Medina, com quem ficou casada por sete anos.

Separada do primeiro marido, a atriz vai se casar novamente. Está noiva do ator Roger Gobeth

Por que recusou o convite de voltar à Globo antes de ir para a Record?
Foi uma escolha profissional. A Globo me ofereceu um papel de prostituta e não era o que eu queria naquele momento. Não me sentia à vontade. Gosto de trabalhar com criança e não queria cortar esse laço. Era como se eu estivesse jogando dois anos da minha vida na lata do lixo. A transição não podia ser tão radical a esse ponto. Afinal de contas, é a minha história. Não estava preparada para pular da Floribella para uma prostituta

Mas sua personagem em Luz do Sol tinha um apelo sexy.
Tinha, mas era suave, era uma cantora pop americana. Ela aparecia de calcinha, havia cenas de sexo, mas tudo era bem-feito, conversado. Senti uma abertura na Record que eu não esperava. Fiquei com medo de não conseguir esse diálogo, mas tive liberdade para conversar com o autor.

Por que fez terapia depois de Floribella?
Eu me separei no fogo cruzado entre um ano e outro de Floribella, trabalhando igual a uma louca. Quando você pára, as fichas vão caindo. Foi muita coisa para mim. Também fui fazer por causa de Floribella. Era um personagem que eu tinha que tirar de mim, saber quem eu era.

“A Globo me ofereceu um papel de prostituta. Não estava preparada para pular da Floribella para uma prostituta”
JULIANA SILVEIRA

Você teve síndrome do pânico. Como lidou com isso?
Minha avó morreu quando estavam terminando as gravações da novela Laços de Família (em 2001). Eu não pude ir ao enterro e isso ficou mal resolvido. Foi nessa fase que tive pânico. Fui convidada para fazer um teste para a minissérie Presença de Anita. Fiz o primeiro e no dia em que faria o teste com o (ator) José Mayer, só de calcinha, amarelei. Quando o (diretor) Ricardo Waddington disse: “você é a próxima”, saí correndo. Não dei satisfação a ninguém, cheguei em casa e fiquei chorando. Nem eu entendia o que tinha acontecido. Tomei remédio e me curei. Quando o tratamento terminou, fui aconselhada a fazer terapia.

Como encarou a separação com Rodolfo Medina?
Uma frustração. Ninguém casa para separar. É muito ruim quando você descobre que não tem mais para onde ir, que já tentou tudo o que podia. É um sonho que se acaba e eu sou super-romântica. Começamos a namorar muito cedo, vivenciamos coisas muito legais, crescemos juntos. Isso não se apaga. Nossa relação foi muito forte. Ele é e sempre será uma pessoa especial para mim.

Por que acabou?
A gente se deu conta em determinado momento que a relação homem e mulher tinha terminado. Hoje em dia nos damos bem, mas a gente não se fala todos os dias, não fica se procurando. A terapia foi importante porque comecei a ter umas paranóias do tipo sou muito nova e já divorciada.

Por que estar separada teve esse peso para você?
Minha mãe conheceu meu pai com 13 anos e é casada com ele até hoje. Meu irmão namorou nove anos, casou e teve um filho. Tudo foi muito certinho na minha família. Eu rompi com um padrão. Quando me separei, achei que o meu pai fosse ficar bravo comigo e que minha mãe iria entender. Foi o contrário, minha mãe ficou chocada. Perguntou porque eu não agüentei. Respondi que preferi jogar a toalha e entregar os pontos. Foi bom para o nosso relacionamento de mãe e filha, a relação ficou mais madura.

Como começou seu romance com o Roger?
Eu estava carente e ele era meu amigo. Um belo dia me vi apaixonada por ele, enlouquecida, igual a uma menina de 15 anos. O clique foi muito rápido. O Roger é muito alegre, sedutor, faz massagem. Sabe aquele homem que te olha, que presta atenção em você? E era um momento em que eu estava triste, frágil, não tinha como não me apaixonar. Durante um ano ele vivenciou muito a carga da minha separação. Chorei muito nos braços dele por causa do meu ex. Em alguns momentos até brigamos, mas sobrevivemos.

Pretendem se casar?
Estou noiva. Quero fazer uma cerimônia, reunir os familiares e amigos, montar a nossa casa. Eu tenho a minha e ele, a dele. Acho supersaudável. É a primeira vez que estou namorando. É importante não pular etapas, mas não temos vontade de casar na igreja. Quero construir uma família e ter filhos.