Teatro • Home• Revista 26/11/2007
Auto de Angicos
Adriana Esteves e Marcos Palmeira apresentam espetáculo caprichado de Amir Haddad

Daniel Schenker Wajnberg

Fotos: DIVULGAÇÃO
Adriana Esteves e Marcos Palmeira em Auto de Angicos

LOGO DEPOIS de mergulhar na obra de Catullo da Paixão Cearense, Amir Haddad retorna ao universo popular brasileiro em Virgulino Ferreira e Maria de Déa – Auto de Angicos, texto centrado nos momentos finais de Lampião e Maria Bonita. O dramaturgo Marcos Barbosa valoriza a perspectiva intimista em detrimento da épica. Menciona durante todo o tempo o brutal universo do cangaço, mas sempre tratando de relacioná- lo a uma localizada esfera conjugal.

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Adriana Esteves e Marcos Palmeira destacam a cumplicidade dos personagens e, mesmo sem momentos de brilhantismo, dão conta das transições emocionais. O trabalho dos atores é peça integrante de uma montagem cercada de cuidados na parte técnica. A cenografia criativa (de Nello Marrese), as delicadas variações da iluminação (Paulo César Medeiros) e, principalmente, as interferências pontuais da trilha sonora (Caíque Botkay) contribuem decisivamente para a criação de uma atmosfera, ao mesmo tempo envolvente e ameaçadora – no caso, a da Grota do Angico, onde Lampião e Maria Bonita foram executados. No saldo, Auto de Angicos desponta como um dos bons espetáculos da atual temporada teatral carioca.

Espaço Sesc – r. Domingos Ferreira, 160, Rio, tel. (21) 2547-0156.