Música • Home• Revista 26/11/2007
Lobo bom
Depois de 8 anos de afastamento, Lobão volta a fazer parte da indústria fonográfica e fatura prêmio no Grammy Latino

TEXTO GABRIELA PESTANA

Envie esta matéria para um amigo

FOTO ROGÉRIO ALBUQUERQUE/ AG. ISTOÉLobão surgiu no cenário musical na década de 70 e, além da boa música, ficou conhecido por denúncias contra o jabá, brigas com gravadoras e por ser o primeiro artista brasileiro a levantar a bandeira da produção musical independente. Oito anos longe das grandes gravadoras, três CDs autônomos e exílio total das rádios, o carioca João Luís Woerdenbag Filho deixou de lado o jeito de lobo rebelde e voltou em pele de cordeiro ao lançar em abril, pela Sony BMG, o seu Acústico MTV. O músico, que ganhou em Las Vegas o prêmio de Melhor Álbum de Rock Brasileiro no Grammy Latino 2007 com o CD acústico, solta o verbo, de forma mais mansa, sobre a premiação, o rock brasileiro e o movimento que propagou em setembro: “Peidei mas não fui eu”. Na época, disse que o Peidei era mais próativo do que o movimento apartidário Cansei, encabeçado por vários artistas.

Depois de tachar de decadentes alguns artistas que aceitavam fazer discos acústicos, como é ganhar um Grammy com o CD Acústico MTV?
Nós todos, os envolvidos nesse projeto, só topamos fazer o acústico por termos todas as possibilidades de executá-lo com total esmero artístico e tecnológico. Trabalhar com liberdade, amor e concentração e com uma equipe maravilhosa é tudo que uma pessoa pode querer. Isso reflete absolutamente o que é o resultado final.

Qual é a importância do prêmio?
Por que não foi à entrega? É um reconhecimento desse esforço todo, através de uma instituição internacional do mais alto prestígio. Não compareci porque tinha shows marcados. Mas comemorei em Salvador, numa apresentação memorável.

Você desbancou CPM22 E NX Zero no Grammy. O que acha das novas bandas?
A gente trabalhou para quebrar barreiras e tabus, é um trabalho que merecia esse reconhecimento. Quanto à produção musical, creio que está cada vez mais divertido e criativo produzir um disco. Temos ótimos novos produtores aparecendo, temos grandes nomes despontando, como Canastra, Cascadura, Cidadão Instigado, Vanguart e Móveis Coloniais de Acaju. Acredito muito na criatividade e qualidade da rapaziada nova. É uma geração que vai surpreender.

Como tem sido a volta à indústria fonográfica em época onde os artistas estão tomando o rumo oposto, provavelmente impulsionados por sua iniciativa?
Normal. Eu tenho meus interesses pessoais, não acredito que meu rumo seja oposto. Estou acrescentando, não estou me contradizendo e estou achando bem produtiva esta nova etapa. As pessoas estão conhecendo mais as minhas músicas, de ambas as fases, estou sendo mais ouvido como músico e é tudo o que eu desejava para agora.

Você também é mediador do programa Debate MTV. É possível passar sua opinião sem perder a imparcialidade?
Eu sou completamente parcial, mas oscilo freqüentemente em algumas opiniões.

Como surgiu a idéia do movimento “Peidei, mas não fui eu”?
Em uma conversa da Regina (mulher dele) com um amigo nosso, o Zé Maria Palmieri, que foi o autor da frase e do movimento. Eu só tive a idéia de fazer uma camiseta para viajar no dia seguinte a Brasília.

Acha que falta um pouco de militância aos jovens brasileiros?
Falta sim, mas isso não é privilégio de faixa etária não. O brasileiro é bonzinho como um todo, como um feriado ensolarado numa vilinha em dia de jogo.