Livros • Home• Revista 26/11/2007
Biografia
Casos e causos de Tim Maia
O jornalista e produtor Nelson Motta conta histórias do temperamental cantor

Mauro Ferreira

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Tim Maia: fobia de garçons carecas e maconha na gravadora

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Tim Maia (1942-1998) adorava criar caso. Por seu temperamento excêntrico, o cantor também acabou sendo personagem de alguns dos causos mais engraçados da música brasileira. Com texto saboroso, o jornalista e produtor musical Nelson Motta conta vários deles na biografia Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Objetiva, 392 págs., R$ 49,90).

BATE-BOCA COM ROBERTO CARLOS Em 1957, Tim Maia admitiu Roberto Carlos no conjunto The Sputniks. Mas o grupo foi para o espaço após sua primeira e única apresentação na televisão. Por meio de Carlos Imperial, Roberto descolou um número solo no programa seguinte, mas Tim odiou o privilégio. Os dois cantores bateram boca aos gritos na porta do estúdio e quase saíram no tapa.

DEPORTADO PARA O BRASIL Em sua temporada nos Estados Unidos, entre 1959 e 1964, Tim acabou sendo preso por furto e roubo. Em 1963, o então aspirante a cantor se envolveu em briga séria com outro preso, de quem mordeu a orelha. Tim tinha medo de ser mandado para a cadeira elétrica, mas foi deportado para o Brasil em abril de 1964.

FOBIA DE GARÇOM CARECA Em 1970, já estourado por conta do LP que trouxe “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”, Tim foi convidado a fazer o show de encerramento da 5ª edição do Festival Internacional da Canção. Após o show, foi comemorar com amigos no restaurante carioca Fiorentina. Mas o clima de confraternização acabou assim que um garçom calvo foi servir a mesa. Tim tinha inexplicável fobia de garçons carecas, se sentia ameaçado por eles e os expulsava aos gritos. O amigo Fábio teve que dar generosa gorjeta ao garçom ofendido.

MACONHA PELO AR Em 1971, quando gravava o segundo LP, Tim se enfiou num cubículo da sede carioca da gravadora Philips para fumar maconha. Os chefões da matriz holandesa da gravadora estavam na companhia, e o cantor preferiu se esconder. Mas não percebeu que o esconderijo úmido era a central do ar-condicionado, cujas tubulações espalharam o cheiro da droga por toda a empresa. Os chefões acharam graça.

VAIAS NO SCALA Em março de 1987, Tim assinou contrato para temporada de 14 shows no Scala. Cumpriu apenas dez e, no segundo, afrontou o público que vaiou quando percebeu que quem cantaria a balada “Leva” era o trompetista Carlinhos, da banda Vitória Régia. “Qual onda é essa de vaiar? Onde é que vocês pensam que estão? Isso aqui não é festival, não!”, respondeu para a platéia, segundos antes de abandonar o palco. E não voltou.