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| Martin Page: decadência de um poderoso produtor de cinema |
O FRANCÊS Martin Page, de 32 anos, tornou-se um best seller com seu primeiro livro, Como me Tornei Estúpido, corrosiva sátira à sociedade dominada por idiotas. Neste segundo trabalho, A Gente se Acostuma com o Fim do Mundo (Rocco, 224 págs., R$ 29), ele volta suas baterias para os jovens ambiciosos na corrida pelo sucesso.
Elias é um poderoso produtor do principal estúdio de cinema francês (poderia ser Hollywood) que sonha em suceder o chefão à beira da aposentadoria. Seu mundo desmorona quando é sacado do filme mais importante da companhia, substituído pelo rival.
A decadência do personagem é mostrada num estilo de sátira mais próximo do drama que da comédia. Pequenas alterações do cotidiano, como o chefão que o deixa esperando na ante-sala, o assistente do rival que entra na sua sala sem bater, indicam a proximidade do naufrágio. Mas é justamente quando perde poder que Elias percebe a falsidade de seu mundinho e passa a rever seus valores.
O estilo narrativo direto, repleto de descrições precisas e detalhadas (quase barrocas) dos ambientes, dão ao leitor a sensação de assistir a um filme. Mas estamos longe do simples exercício de estilo. Page usa seu talento raro para retratar com perfeição o universo dos carreiristas, tão comum nestes tempos de consumismo. Também ironiza a cordialidade de fachada, em que as pessoas são descartadas com a mesma facilidade com que surgem. Marcelo Lyra
   
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