Teatro • Home• Revista 24/9/2007
Os Produtores
Espetáculo saiu da mesma fôrma de outras adaptações da Broadway, mas tem frescor e desenvoltura

Musica

Miguel Falabella, Juliana Paes e Vladimir Brichta em Os Produtores: bom elenco

ASSISTIR a Os Produtores pode ser uma tarefa um tanto quanto árdua se você for baixinho. Por ser realizado numa casa de shows

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sem desnível, visualizar o palco exige certo jogo de cintura. Mas, se existe desconforto, a versão nacional do musical da Broadway baseado em filme de Mel Brooks também oferece diversão. Dirigido e adaptado por Miguel Falabella, que também encabeça o elenco no papel de Max Bialystock, o espetáculo dilui o tom crítico e metalingüístico criado por Mel Brooks em seu longa Primavera para Hitler (leia quadro), que promovia sátira ao mercado dos musicais com a saga de dois produtores que tentam ganhar dinheiro fácil com um fracasso.

Os Produtores parece ter saído da mesma fôrma de outras adaptações milionárias da Broadway no Brasil. No entanto, ganha de longe de concorrentes como Miss Saigon, por um motivo simples: o elenco. Grande destaque, Vladimir Brichta passeia perigosamente pelo terreno da caricatura, mas mantém-se firme em sua linha de interpretação e dá vida ao doce Leo Bloom. Juliana Paes, que nunca tinha pisado num palco, está confiante como Ulla e surpreende num solo cheio de variações vocais. Falabella acrescenta desnecessários apartes que tornam inevitável a associação ao Caco Antibes de Sai de Baixo, mas transforma seu Max num personagem popular.

Por mais que os personagens persigam o fracasso, isso fica só na ficção. Eles devem agradar ao público também no Brasil. Não se pode esperar outra coisa de uma montagem que custou milhões. Fernando Oliveira
ESTRELAS:

Tom Brasil - r. Bragança Paulista, 2.181, tel. (11) 2163-2100. Até 25/10.

A ORIGEM
Fotos: DIVULGAÇÃOA história de Os Produtores é curiosa. Em 1968, o irreverente Mel Brooks lançou nos cinemas americanos o filme Os Produtores - no Brasil, Primavera para Hitler. Era uma comédia em que Zero Mostel fazia Max Bialystock, um produtor teatral falido que contrata o ingênuo contador Leo Bloom (Gene Wilder). Ambos descobrem que, quanto mais fracasso uma peça fizer, mais dinheiro o produtor ganha. E bolam um musical elogiando Adolf Hitler. Catorze anos mais tarde, Brooks decidiu transformar seu longa em musical da Broadway, alcançando enorme sucesso e conseguindo um recorde de 13 prêmios Tony. Em 2005, foi a vez de o musical virar filme dirigido por Susan Stroman e estrelado por Nathan Lane, Matthew Broderick e Uma Thurman.