Teatro • Home• Revista 17/9/2007
Dom Quixote de Lugar Nenhum
Peça com texto do cineasta Ruy Guerra coloca clássico personagem em Nordeste estereotipado

TEATRO

Edson Celulari faz Dom Quixote contado em forma de cordel

NÃO é novidade para ninguém que o Nordeste brasileiro é um universo para lá de fértil para o cinema, a tevê e o teatro. Mas o escritor Ruy Guerra, responsável pelo texto de Dom Quixote de Lugar Nenhum, conseguiu ir além das tradicionais histórias já tanto retratadas por Ariano Suassuna e Guel Arraes com uma ousada inovação. Guerra resolveu mexer com um dos personagens mais clássicos da literatura mundial e inseri-lo na caatinga.

Com Edson Celulari no papel-título, o espetáculo mostra as andanças de Quixote em busca de aventura e de sua amada Dulcinéia de Toboso. Assim como no livro, o personagem luta contra moinhos de vento e pretende matar um dragão. No entanto, sua trajetória é contada em forma de cordel. E aí reside o grande risco da montagem, que na primeira meia hora, no afã de

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retratar o universo nordestino, acaba se tornando uma enfadonha e estereotipada narrativa.

É bem verdade que a direção de Ernesto Piccolo é competente, mas por vezes a peça acaba virando um musical mesmo "muito grego", como canta seu coro, tão bobas são as cantigas. Porém há que se concordar que a direção buscou soluções criativas como a humanização do cavalo de Quixote ou do jegue de Sancho Pança. Aliás, cabe destacar a atuação de Lourival Prudêncio, que, apesar de excessivamente contida no começo, rouba a cena quando ele transforma-se num diabo e faz com que a peça vire um divertido besteirol.
ESTRELAS:
Fernando Oliveira
Teatro Frei Caneca - r. Frei Caneca, 569, tel. (11) 3472-2229. Até 30/9.