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TEATRO
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| Edson Celulari faz Dom Quixote contado em forma de cordel |
NÃO é novidade para ninguém que o Nordeste brasileiro é um universo para lá de fértil para o cinema, a tevê e o teatro. Mas o escritor Ruy Guerra, responsável pelo texto de Dom Quixote de Lugar Nenhum, conseguiu ir além das tradicionais histórias já tanto retratadas por Ariano Suassuna e Guel Arraes com uma ousada inovação. Guerra resolveu mexer com um dos personagens mais clássicos da literatura mundial e inseri-lo na caatinga.
Com Edson Celulari no papel-título, o espetáculo mostra as andanças de Quixote em busca de aventura e de sua amada Dulcinéia de Toboso. Assim como no livro, o personagem luta contra moinhos de vento e pretende matar um dragão. No entanto, sua trajetória é contada em forma de cordel. E aí reside o grande risco da montagem, que na primeira meia hora, no afã de
retratar o universo nordestino, acaba se tornando uma enfadonha e estereotipada narrativa.
É bem verdade que a direção de Ernesto Piccolo é competente, mas por vezes a peça acaba virando um musical mesmo "muito grego", como canta seu coro, tão bobas são as cantigas. Porém há que se concordar que a direção buscou soluções criativas como a humanização do cavalo de Quixote ou do jegue de Sancho Pança. Aliás, cabe destacar a atuação de Lourival Prudêncio, que, apesar de excessivamente contida no começo, rouba a cena quando ele transforma-se num diabo e faz com que a peça vire um divertido besteirol.
ESTRELAS:   
Fernando Oliveira
Teatro Frei Caneca - r. Frei Caneca, 569, tel. (11) 3472-2229. Até 30/9. |