Teatro • Home• Revista 17/9/2007
As Centenárias
Excesso de referências circenses prejudica montagem bem cuidada

Comédia

Fotos: DIVULGAÇÃO
Marieta Severo e Andréa Beltrão: carpideiras que perambulam pelo sertão

A AUSTERIDADE, uma das características do sensível Agreste, de Newton Moreno, não está presente em As Centenárias, novo texto do autor, que aborda com humor o "tema" da morte, angustiante por excelência. As carpideiras Socorro e Zaninha são típicas personagens populares que perambulam pelo sertão driblando a morte com sabedoria e malícia. Marieta Severo e Andréa Beltrão, que encomendaram o texto a Moreno, investiram em trabalhos de composição. Marieta acentua a postura curvada e a voz grave, enquanto Andréa injeta adrenalina na construção de uma figura essencialmente clownesca.

O diretor Aderbal Freire-Filho demonstra preocupação com o ritmo e com as mudanças de personagens efetuadas pelas atrizes ao longo do espetáculo. Mas não dosa de forma equilibrada as referências circenses - presentes tanto na cenografia, que transforma o palco num picadeiro, quanto na trilha sonora -, que, pouco criativas, acabam sobrecarregando a montagem. Além disso, o ator Sávio Moll imprime uma contundência algo vazia a suas intervenções. São excessos de uma montagem irregular, que merece ser considerada mais pelo empenho da equipe em não aderir a uma proposta acomodada do que propriamente pelo resultado final alcançado.
ESTRELAS:
Daniel Schenker Wajnberg
Teatro Poeira - r. São João Batista, 104, Rio, tel. (21) 2537-8053.

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