Carreira • Home• Revista 23/7/2007
Gosto de homens mais novos
Com biografia recém-lançada, vera holtz diz que seu jeito juvenil a aproxima dos jovens e conta que nunca viveu, em seus relacionamentos, a intimidade de um casal

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Vera enfrentou a menopausa com ajuda dos namorados: “Tive a bênção de ser acompanhada por belos jovens, que me fizeram perceber que a vida segue”
Quando autorizou a escritora Mercês Rocha a escrever o recémlançado livro Vera Holtz & Família, Vera Holtz não pensava que fosse viver uma revolução interna. Ao abrir o baú da infância, na cidade de Tatuí (SP), a atriz experimentou uma espécie de “orfandade” até então não vivida, mesmo após a morte dos pais. “Fiquei 30 anos no Rio e muitas coisas não vivi. Não vivi o fim dos meus pais, não tive um cotidiano.” Por isso, pediu um “help!”. Há seis meses Vera faz análise. Quando começou a gravar Paraíso Tropical, suspendeu entrevistas. “Estava mexida. Comecei a entender meus limites e percebi que não sou uma Mulher Maravilha”, diz. Na pele de Marion, na trama de Gilberto Braga, vive uma mulher sem escrúpulos. Na vida real, é bem resolvida com a vida. Terminou um relacionamento de sete anos com o artista plástico Fernando Guimarães. “Ele é uma pessoa genial, culta, inteligente. Porém, tem a distância”, diz ela, sobre o fato de o ex-namorado ser de Brasília. “Só tinha o lado A, não tinha o lado B.”

Como foi rever sua infância pelo livro?
Percebi que sou muito ligada à família. O livro me mostrou como sou do interior, os anos difíceis que passei no Rio. Não tinha noção de que a minha vida no Rio tinha sido uma vida sozinha, de solidão, o quanto senti falta da minha família, o quanto isso me fez falta. O teatro foi um ato de sobrevivência, de segurar a onda da cidade grande.Quando você se propõe a fazer uma viagem de história pessoal, é duro, machuca.

Parece uma pessoa despreocupada com a ditadura da beleza. Já fez plástica?
Não. Já tentei e desisto. Acho tão bonito o meu corpo. Tenho respeito pelo corpo humano, pelo envelhecer. Vivo plenamente a minha idade. Não vou apagar as marcas da minha história.

Muitas mulheres de meia-idade se identificam com você...
As mulheres me aclamam, dizem que estou inaugurando um novo padrão de beleza. Elas me param na rua para falar sobre o prazer de ter uma representante de meiaidade. Temos que ampliar esse padrão estético. Eu sou uma XL Bündchen.

Por que não quis um casamento formal?
Nunca quis deixar de ser filha, mesmo com meus pais estando ausentes. Acho que por isso nunca assumi um marido. Nunca tive a intimidade de um casal. Sabe aquela coisa íntima e intransferível que um casal tem? Nunca tive. Nunca me permiti entrar nessa área.

Você prefere homens mais novos?
Gosto de homens mais novos, tenho que admitir. Sou muito juvenil, isso me aproxima dos jovens, que são brincalhões, têm humor diferente. Gosto de pessoas que não desistiram de viver, de achar que o mundo ainda reserva grandes histórias e surpresas. Sou uma colecionadora.

Está namorando?
Tem um namoro novo, sim. É o ator Charles Azevedo. Mas é tudo meio embrionário.

Como enfrentou problemas como a menopausa?
Fiz reposição. Minha vida não parou por causa do hormônio. Tive a bênção de ser acompanhada por belos jovens, companheiros que me iluminaram esse caminho, que me fizeram perceber que a vida segue. Quando você está bem apoiada, é menos traumático. A presença masculina nesse momento, especialmente por homens sensíveis, é bem-vinda. É preciso ter consciência do momento que está vivendo.

Arrepende-se de não ter tido filhos?
Nenhum arrependimento. Fiz uma cena em que a Marion diz que umas mulheres têm instinto maternal e outras de sobrevivência. Tem umas que não vão caçar para a continuidade da raça, e sim para benefício próprio. Umas mulheres nasceram para ser mãe e outras não. Essa linha maternal não é para mim.

É adepta de relacionamentos abertos?
Meus relacionamentos não são convencionais. Sou livre para estabelecer o que quiser na relação, e a outra pessoa também. Quando começo, aviso: nós vamos viver essa história com começo, meio e fim. Isso já estabelece uma outra relação no que diz respeito à expectativa e à longevidade do relacionamento.