Música • Home• Revista 26/6/2007
Long Play
POP Lulu Santos concilia os diversos sotaques de sua obra, do pop ao funk e à eletrônica

Envie esta matéria para um amigo
Lulu Santos: Long Play não é tão redondo quanto Programa e Bugalu

A capa, assinada por Giovanni Bianco, evoca a estética da disco music. Mas, apesar do título também retrô, Long Play é um disco de som contemporâneo em que Lulu Santos concilia os diversos sotaques de sua obra em repertório de inéditas. A faixa que foi para as rádios, "Contatos", reafirma a vocação do compositor para roçar o pop perfeito. Contudo, o CD avança em outras direções com grooves modernos. A releitura de "Se Não Fosse o Funk", hit de MC Marcinho, sinaliza a admiração do artista pelo som dos bailes da pesada. Não por acaso, músicas como "Olhos de Jabuticaba" e "Seu Aniversário" foram adornadas com levadas funkeadas.

A incursão de Lulu pela eletrônica, nos anos 90, é rebobinada em "Dopamina", em cuja letra o artista admite ser viciado em sexo. Há ainda dois sambas, "Boa Vida" e "Propriedade Particular", que atestam a versatilidade do compositor. Se Long Play não chega a ser um grande disco, é porque Lulu já apresentou safra de inéditas mais contagiantes. Seus recentes CDs Programa (2002) e Bugalu (2003), por exemplo, exibiram repertórios mais redondos.

O mérito de Long Play é enfatizar que o artista sempre busca novos grooves e caminhos sem procurar se ater às fórmulas do sucesso. Em bom português, ele não fica tentando compor uma nova "Como uma Onda". (M.F.) Baile do Lulu