Música • Home• Revista 26/6/2007
Maquinado - Homem Binário
POP Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, lança disco solo experimental

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PIO FIGUEIROA
Lúcio Maia mistura ritmos regionais, eletrônica e psicodelia

Lúcio Maia resistiu à tentação de se exibir como virtuose da guitarra em seu primeiro disco solo, Maquinado - Homem Binário. A guitarra nem é um elemento posto em primeiro plano no CD. Maia apresenta um trabalho cibernético - o subtítulo se refere à linguagem binária dos computadores - que tritura ritmos regionais, eletrônica e psicodelia. Em tese, são os mesmos ingredientes que moldam o atual som da Nação Zumbi, banda da qual Maia é guitarrista. Mas Maquinado tem sua identidade, urdida pela produção assinada pelo próprio artista.

PIO FIGUEIROANão se trata de um disco palatável. O flerte com o rap em "Tá Tranqüilo" é um dos poucos momentos mais digestivos. "Alados", uma ciranda de tom psicodélico, também poderá soar familiar aos fãs da Nação Zumbi. No todo, Maquinado é pautado pelo experimentalismo e soa, sim, hermético. "O showbiz não me seduz", diz um verso de "Eletrocutado", repetido à exaustão por Rodrigo Brandão, parceiro do guitarrista neste tema e vocalista convidado da faixa. A propósito, as letras e os vocais do álbum não são de Maia. Fascinado pela tecnologia, ele criou as bases eletrônicas e as distribuiu para que colegas como Jorge Du Peixe e Siba fizessem os versos. O resultado é uniforme. O uso da parafernália eletrônica não eliminou o caráter humanista do álbum. (M.F.) Homem das máquinas