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| Tainá, que foi premiada no Cine-PE em sua estréia como atriz, pediu autorização do pai para fazer o papel de Marcela |
Faz quase três anos que Tainá Müller se ofereceu para fazer qualquer coisa, até carregar caixa, no filme Cão sem Dono, de Beto Brant e Renato Ciasca. Baseado no livro Até o Dia em que o Cão Morreu, escrito por Daniel Galera, seu namorado, o longa precisava de uma atriz disposta a se expor, inclusive fisicamente. Tainá ficou responsável por achar quem pudesse viver Marcela, garota do interior que vai para Porto Alegre ser modelo e se envolve com o tradutor Ciro. “Sempre que encontrava uma menina, ligava para o Beto, mandava foto, mostrava no Orkut”, diz a gaúcha de 25 anos. Só que, nesse meio tempo, Tainá tinha decidido mudar seu rumo. E os diretores resolveram promovê- la de produtora de elenco e assistente de direção a atriz principal. Logo no primeiro festival de que participou, o Cine-PE, em abril, Tainá foi premiada.
O que mais a assustava era a reação do pai, Eduardo, às cenas de nudez e sexo. “Pedi autorização, porque sabia como ia ser – e, para mim, era importante que meu pai estivesse ao meu lado. Ele disse: ‘Acho que faz parte, você escolheu isso’.” Ali ela ficou tranqüila, ainda que as cenas não tenham sido fáceis. “Não achei que seria tão difícil, mas agradeço ter tido essa oportunidade já de cara, porque ali quebrei barreiras que demoraria anos.”
Faz mais ou menos dois anos que Tainá decidiu pela carreira de atriz. Formada em Jornalismo, ela trabalhou desde cedo, como webdesigner, montadora de curtas e assistente de direção, para ajudar a pagar a faculdade. Nessa época, conheceu Daniel Galera. Uma amiga mostrou a Tainá o conto “Triângulo”, e a atriz ficou impressionada com a sensibilidade do texto, tanto que o marcou com uma fita e pediu para seu então namorado ler – o que ele nunca fez. Meses mais tarde, solteira, Tainá estava na festa do filme Tolerância, de Carlos Gerbase, e foi apresentada a Daniel. “A única coisa que eu consegui falar foi: ‘Você é meu escritor favorito, posso te dar um abraço?’”, diz Tainá. Desde então, e isso já faz quase sete anos, nunca mais se separaram.
A não ser por alguns meses, nas viagens da atriz ao Exterior. Fazia três anos que ela trabalhava na MTV, onde chegou a coordenadora de jornalismo, quando um amigo sugeriu que ela tentasse ser modelo. “Achei que não tinha idade, nem altura”, diz ela, que passava dos 21. Ainda sem um book, foi escalada para ir à Tailândia e China. Trocava tantas vezes de roupa para fotografar catálogos que ficava com dor na orelha. Mais tarde, em Milão, na primeira vez em que viu neve em sua vida, virou para uma amiga e disse: “Vou voltar para o Brasil e ser atriz”. Mudou-se de mala e cuia para São Paulo – Daniel, que estava terminando de escrever Mãos de Cavalo, só foi mais tarde para a capital paulista. Começou a fazer um curso com Fátima Toledo, até conseguir o papel em Cão sem Dono. “Como não venho de família de artistas, não tenho referência. Não achava que poderia viver disso”, afirma ela sobre o pai, vendedor de pneus, e a mãe, Vera, cabeleireira. Para o diretor Renato Ciasca, a garota tem futuro: “Ela entregou-se com valentia. É determinada e se abre de coração”. Finalmente, Tainá parece ter achado seu rumo. “Quero ser atriz para o resto da minha vida.”
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