Entrevista • Home• Revista 25/6/2007
''Ninguém mais tem medo do Pânico''
O humorista do Pânico acredita que os artistas que o tratam mal prejudicam a própria imagem, conta que o programa quase mudou para o SBT e diz que Silvio Santos é seu ídolo

JONAS FURTADO

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Fotos: MURILLO CONSTANTINO
‘‘Clodovil lucrou com o Pânico. Lembro que, quando ele falava do Pânico, o programa dele tinha picos de audiência’’

O fato de não ter uma data limite é um sinal de que o SBT tem interesse no Pânico?
Não sei. Em 2005, eu cheguei a pensar isso. Nós quase fomos para o SBT. O Silvio conversou com o Tutinha. Pensei: se ele não estivesse interessado não teria limitado a dois anos. Hoje não sei se ele tem interesse. Como homem de tevê, ele viu o resultado que o Pânico deu (no Qual É a Música). Mas estamos muito bem na Rede TV!. Quando começamos, muita gente não acreditava que o formato de um programa de rádio desse certo nos moldes da televisão. O Pânico provou que é um fenômeno comercial, tem fila para anunciar no programa.

Receberam propostas de outras emissoras?
Muito se especulou de o Pânico ir para a Record, mas acredito que eles vão renovar com a Rede TV!. Acho que todo mundo (da equipe) tem que estar bem. Temos uma equipe talentosa, cada um vai negociar o seu salário e tem que ficar satisfeito.

Consegue se imaginar numa carreira solo?
Não se pode dar o passo maior do que a perna. Comecei a trabalhar como comediante em 1989. Mas as coisas boas na televisão só vieram a acontecer quinze anos depois. É muito mais fácil você destruir uma imagem do que construir. Se um dia acontecer isso (sair do Pânico) é porque era para acontecer. Se eu sair do grupo, quero sair com a porta aberta, pela porta que entrei. Acredito que meus companheiros torcem por mim, não só dentro do grupo. Não tem esse lance de disputa, picuinha.

Qual famoso tem mais medo de vocês?
Ninguém mais tem medo. Às vezes o cara não entra na brincadeira, não tem humor. O Rodrigo e eu tomamos uma decisão: só entrevistar quem quer brincar. Quem não está a fim, muito obrigado, pode passar.

Porque senão não vai render. O que vai dar resultado é o cara entrar na brincadeira. Pô, se o Silvio Santos entrou na brincadeira e fez a dança do siri, se o Gugu fez a dança do siri... Tem gente que começou agora e não tem jogo de cintura, não sabe brincar. Fica até feio porque quem está em casa, e é fã daquele ator, vai pensar: “achei que ele fosse mais simpático, foi tão seco, tão arrogante com os meninos”.

Quem é o grande inimigo do Pânico? A Luana Piovani, o Clodovil, o Netinho, o Vitor Fasano ou a Carolina Dieckmann?
Isso foi no começo. A gente não tem raiva, mágoa. Essas pessoas aí a gente não entrevista mais. Se você for ver, o que essas pessoas estão fazendo de importante? Se você mostra uma coisa ruim na televisão, aquilo vai ser ruim para você, não para mim. Essas pessoas fizeram coisas que transpareceram negativas para elas. Para a gente, não, tanto que estamos em um momento bacana. Tem, lógico, algumas que estão fazendo sucesso, mas tem outras que não estão mais na mídia. Mas não são nossas inimigas. Elas mostraram o que elas são.

O Pânico ajudou a eleger o Clodovil?
Que não seja pretensão da minha parte, mas o Clodovil lucrou com o Pânico também. Lembro que, quando ele falava do Pânico o programa dele tinha picos de audiência, melhorava a média. Ele é um cara talentoso: tinha quatro horas de programa e falava de arranjo de flores, dele mesmo (risos).

Eu parava para ver. Como esse cara consegue segurar um programa na lábia? Claro que tem o público dele, muita gente votou porque gosta dele.

Como aprendeu a contar piadas?
Meu pai foi sargento da polícia e taxista. Era um cara muito querido na cidade. Todo dia chegava em casa com histórias engraçadas, piadas.

Admirava meu pai, era fã dele. Era uma criança muito tímida, introspectiva. Não tinha coragem de me soltar, contar piada, minha voz era para dentro. Via meu pai e pensava “queria ser assim”, solto, simpático, atencioso.

Puxei dele esse lado que só descobri depois dos 13, 14 anos.

Está casado há quatro anos. Pensa em ter filhos?
Tatiana pensa, eu penso. O que falta é tempo. Quero crescer com meu filho, acompanhar o dia dele, levar ao colégio, ensinar a escovar os dentes, a andar de bicicleta. Não me casei na igreja, mas Tatiana já me falou que tem vontade. Quem sabe um dia aconteça, pela felicidade dela. É o sonho de toda mulher. Casar de branco para combinar com a cozinha, o fogão, a geladeira (risos). Costumo falar que casamento é a única instituição que você só ganha liberdade por mau comportamento.

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