Entrevista • Home• Revista 25/6/2007
''Ninguém mais tem medo do Pânico''
O humorista do Pânico acredita que os artistas que o tratam mal prejudicam a própria imagem, conta que o programa quase mudou para o SBT e diz que Silvio Santos é seu ídolo

JONAS FURTADO

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Fotos: MURILLO CONSTANTINO
“Eu mesmo fiz o microfone, confiro se a peruca está legal, vou ao protético para ver a dentadura”, diz Wellington Muniz, o Ceará, sobre o personagem que representa no Pânico

Ele perseguiu Silvio Santos até nos Estados Unidos. Junto à sua trupe, foi à emissora rival e alçou o programa Qual É a Música ao primeiro lugar do Ibope, derrotando a Rede Globo. Wellington Muniz, o Ceará, do Pânico (programa da Rede TV e rádio Joven Pan), tanto fez que conseguiu: o dono do SBT assinou uma nova autorização que permite ao humorista continuar a imitá-lo. “Foi complicado”, afirma ele, que carrega no punho esquerdo marcas deixadas por gente que perdeu a cabeça com o humor de seus intrépidos personagens. São dez pinos de titânio e duas placas, resultado de uma agressão que sofreu de um hermano durante a gravação do programa em um campo de futebol na periferia de Buenos Aires.

Eram nove e meia da manhã da terça-feira 12 quando Gente entrou no apartamento de Wellington, 34 anos, em um bairro de classe média alta em São Paulo, onde mora com a nutricionista Tatiana Muniz, 28 anos. Ele demorou dez minutos para aparecer na sala e pediu desculpas pelo atraso – e a cara de sono. “Normalmente acordo às dez”, justificou, antes de soltar a primeira das piadas, em tom de aviso.

“Eu falo muito, hein? Fui vacinado com uma agulha de vitrola.”

Por que foi tão complicado convencer o Silvio Santos?
A gente ficou quase um mês nessa novela, correndo atrás. Ele é um apresentador, um comediante, também. Uma vez fez uma pegadinha com uma repórter de uma revista, disse que ia morrer. Ficava na dúvida: será que o Silvio tá brincando comigo? Será que ele está falando sério? Mas não era brincadeira.

Ele colocou alguma restrição na autorização? Tenho que cuidar bem da imagem dele. Não posso fazer nada que possa difamá-lo. Posso fazer a voz, os trejeitos, mas não posso colocar o ridículo numa imagem que ele construiu há mais de 40 anos. Na época em que ele me liberou para imitá-lo pela primeira vez, há dois anos, foi bacana porque fiz vários trabalhos legais, campanhas. Mas não quero nunca tirar proveito de nada disso. Minha emoção é prestar essa homenagem a este grande homem de televisão. Tenho ele como um ídolo.

Disse que não quer tirar proveito do personagem. Fica incomodado com esses comentários?
Não sou o primeiro nem vou ser o último a prestar essa homenagem. E eu cuido desse personagem com carinho até mais do que dos outros. Eu mesmo fiz o microfone, confiro se a peruca está legal, vou ao protético para ver a dentadura. Achava que ele estava incomodado com aquele sorriso meu, encavalado. Mandei fazer outra dentadura, como se fosse o sorriso dele mesmo, em maiores proporções, mas tudo alinhado. O próprio Silvio disse “não, fica com essa, essa que é a boa”. É legal ele falar isso.

Toma o mesmo cuidado com o personagem do Clodovil?
Vou ser sincero: o Clodovil eu faço mais caricato ainda, mais louco, sem pudores – e as pessoas gostam. Faço o mais caricato possível, às vezes até esqueço da própria voz para fazer mais caricato. Tento sempre homenagear, mas para cada personalidade a homenagem é diferente.

Como se sente ao ver seu ídolo fazer a “dança do siri”?
Poxa... Nem acredito. Mas na época do Topa Tudo por Dinheiro o Silvio Santos fazia essas brincadeiras, dançava com as colegas de trabalho. Ele é um cômico. Antes do programa ele mesmo vai aquecer o auditório. É bonito o carinho, o contato que ele tem com o público.

A autorização para imitá-lo foi renovada por mais dois anos?
Não, não tem data lá. Tem só a data que assinou.

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