Gastronomia • Home• Revista 12/6/2007
PERFIL GIANLUCA BISOL
O todo-poderoso do Prosecco
O mais tradicional produtor italiano da bebida visita o Brasil, o quarto maior consumidor mundial, para mostrar os diferentes espumantes que faz com a uva

Luciano Suassuna

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Em São Paulo, Bisol (o terceiro, da esq. para a dir.) brinda com sócios e amigos o sucesso: o consumo de Prosecco cresce 15% ao ano

Gianluca Bisol tem a fisionomia de um jogador da Seleção Italiana de futebol, e o campo em que atua, ainda que seja verde como o gramado dos melhores estádios, não é plano. Nas colinas da região de Conegliano e Valdobbiadene, ao norte de Veneza, onde sua família se instalou há 465 anos, ele comanda a mais tradicional casa de Prosecco, a uva italiana que em muitos eventos e festas faz as vezes de Champanhe. Com 60 hectares plantados e outros 30 ha que começarão a produzir em três anos, Bisol surfa numa onda que, há uma década, cresce sem parar - o consumo mundial de Prosecco aumenta em média 15% ao ano, sendo que, no maior mercado, os Estados Unidos, tem dobrado a cada ano.

"É um vinho alegre, amigável", diz ele, que, na sua primeira visita ao Brasil, apresentou seus Prosecco em São Paulo. "Quando se abre uma garrafa, ela acaba rápido. E isso ajuda no aumento do consumo." Gianluca Bisol calcula que, se o atual ritmo de crescimento for mantido, em 2020 o Prosecco passa o Champanhe em número de garrafas. O Brasil se tornou seu quarto mercado (atrás de Estados Unidos, Inglaterra e Suíça) e, após a visita, sua importadora, a Terroir, faz uma promoção com os quatro tipos de espumante de Bisol.

Na região de Conegliano-aldobbiadene, o preço do sucesso foi o aumento no valor das propriedades. Apenas um hectare na colina de Cartizze custa 1,2 milhão de euros (mais de R$ 3 milhões). Bisol possui três dos 106 hectares da colina, cuja qualidade reside no fato de possuir um misto de solo e clima que permite às uvas amadurecer um mês além do normal sem comprometer a acidez. O Prosecco de lá, portanto, é naturalmente mais doce que a média. Na degustação conduzida por Gianluca, o Bisol Cartizze (R$ 167,50) revelou-se cremoso, dono de uma pérlage muito fina e delicada, que parecia brotar de apenas um ponto da taça. Na gastronomia, o Crede (R$ 67,50) se mostrou mais adequado para acompanhar peixes e frutos do mar, mas o Cartizze irá valorizar muito bem uma tábua de queijos de massa mole.

Terroir - tel. (11) 3168-2200 e (11) 2109-1500.